Clonazepam (Rivotril®): guia rápido de doses, indicações e efeitos adversos

médico fazendo a prescrição da dose de clonazepam (rivotril)

O Rivotril® (clonazepam) está entre os benzodiazepínicos mais prescritos na prática clínica. Utilizado principalmente para transtornos de ansiedade, síndrome do pânico e epilepsia, o medicamento exige monitorização cuidadosa devido ao risco de tolerância, dependência e abstinência.

Neste guia, revisamos as principais indicações, doses, contraindicações, monitorização e cuidados na prescrição do clonazepam.

 

📌 Resumo prático:

  • Início de dose em adultos: 0,5–2 mg/dia
  • Dose máxima para ansiedade: 4 mg/dia
  • Dose máxima para epilepsia: 20 mg/dia
  • Receita B1 obrigatória
  • Não suspender abruptamente
  • Avaliar dependência, tolerância e risco de suicídio durante o tratamento

 

O que é o Rivotril® e como ele age?

O Clonazepam (Rivotril®) é um medicamento da classe dos benzodiazepínicos, capaz de aumentar a atividade do GABA, provocando hiperpolarização da célula e diminuição da excitabilidade nervosa.

Sua absorção é rápida e completa quando administrado por via oral, especialmente em uso sublingual, e tem início de ação rápido. É encontrado comercialmente em comprimidos (normais ou sublinguais) e em solução oral.

 

Quais são as indicações do Rivotril® (clonazepam)?

O medicamento tem uma ampla utilização na neurologia e na psiquiatria.

A indicação primária é como adjuvante em crises epilépticas, crises de ausência e Síndrome de Lennox-Gastaut.

Para adultos, o uso também é recomendado em transtornos de ansiedade, como ansiolítico geral, em distúrbios de pânico ou em fobia social.

Ainda, pode ser utilizado em transtornos de humor (como transtorno afetivo bipolar), síndromes psicóticas, vertigem, síndrome das pernas inquietas e síndrome da boca ardente.

Por fim, em alguns casos, o uso do clonazepam se mostra eficaz como adjuvante para insônia, abstinência de álcool e tremor essencial.

Lembrando que o receituário é azul (B1), por se tratar de uma substância psicotrópica, com potencial de abuso e dependência.

representação gráfica de transtornos de ansiedade, que podem se beneficiar do uso de rivotril clonazepam

 

Quando o clonazepam é contraindicado?

Além da hipersensibilidade a benzodiazepínicos ou a qualquer dos componentes da fórmula, não é recomendado prescrever clonazepam para pacientes com:

Glaucoma agudo de ângulo fechado,

– Miastenia gravis,

Doença de Alzheimer,

– Esclerose múltipla,

– Insuficiência respiratória ou hepática graves e

– Apneia do sono.

Ainda, na gestação, a categoria de risco é C, mas o uso no terceiro trimestre é contraindicado.

Atenção: o clonazepam deve ser utilizado pelo menor tempo possível em pacientes com transtornos de ansiedade, devido ao risco de tolerância, dependência e síndrome de abstinência.

 

Como prescrever Rivotril: doses para adultos, idosos e crianças

A dose de clonazepam usual inicial para adultos é de 0,5-2 mg ao dia, via oral, podendo ser fracionada em até 2 doses. Se necessário, aumentar a cada 3 dias, até a estabilização das crises.

Para transtornos de ansiedade e mioclonia, não é recomendado exceder 4 mg ao dia. Já para distúrbios epilépticos, a dose pode ser maior, mas não deve exceder 20 mg ao dia, e recomenda-se fracionar em 3 doses diárias.

Por ser um medicamento que causa sonolência, pode ser necessário que os pacientes tomem o medicamento apenas ao deitar-se. Em doses fracionadas, recomenda-se cautela ao dirigir, operar máquinas ou realizar atividades que ofereçam riscos. Há relatos de pacientes que realizam atividades perigosas enquanto dormem, como cozinhar e dirigir.

Para crianças menores de 30 kg ou menores de 10 anos, iniciar com 0,01 mg/kg/dia via oral, e não exceder 0,2 mg/kg/dia. Pode ser fracionado em 3 doses diárias. Para crianças maiores, recomenda-se iniciar com 0,25 mg/dia, dividida em duas ou três doses ao dia, e não exceder 20 mg ao dia.

Para idosos, recomenda-se iniciar com doses reduzidas.

Na necessidade de interrupção do tratamento, não realizar de forma abrupta, visto que oferece riscos de abstinência. Quando necessário, realizar de forma gradual.

médico fazendo a prescrição da dose de clonazepam (rivotril)

Como monitorar pacientes em uso de clonazepam?

Em caso de uso prolongado, o ideal é realizar periodicamente hemograma completo e testes de função hepática e renal.

Durante todo o tratamento, a resposta e adesão devem ser monitoradas. A piora clínica deve ser avaliada com cautela, e o risco de ideação suicida deve ser considerado, especialmente em pacientes de risco. Modificações de comportamento devem ser avaliadas de perto.

Também avaliar tolerância, abuso e dependência.

Por fim, lembrar que o clonazepam pode perder eficácia anticonvulsivante em até 30% dos pacientes.

Outra recomendação é cautela com interações medicamentosas! O Rivotril® interage com diversos medicamentos.

Para mais detalhes, é possível conferir a bula completa e as interações no nosso app WeMEDS®.

 

Quais são os principais efeitos adversos do clonazepam?

Os efeitos adversos que acontecem com maior frequência são aqueles associados à depressão do sistema nervoso central, como:

– sonolência,

– tontura,

– sensação de cabeça leve,

– concentração prejudicada,

– irritabilidade.

Sugere-se aumento gradual da dose, para minimizar os riscos.

Cefaleia, fadiga, vertigem, náusea e insônia também são efeitos colaterais relatados por mais de 5% dos pacientes.

Lembrar dos riscos de problemas comportamentais, depressão, labilidade emocional e ideação suicida.

paciente encolhida chorando e sendo acolhida pelo médico, em monitorização quanto aos efeitos adversos do clonazepam

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Conteúdo atualizado em junho de 2026.

Referências:

Rivotril® (clonazepam). Blanver Farmoquímica e Farmacêutica S.A.

Balon R, Starcevic V. Role of Benzodiazepines in Anxiety Disorders. Adv Exp Med Biol. 2020;1191:367-388. doi: 10.1007/978-981-32-9705-0_20. PMID: 32002938.

Lappas AS, Helfer B, et al. Antimanic Efficacy, Tolerability, and Acceptability of Clonazepam: A Systematic Review and Meta-Analysis. J Clin Med. 2023;12(18):5801. Published 2023 Sep 6. doi:10.3390/jcm12185801

Basit H, Kahwaji CI. Clonazepam. In: StatPearls. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; May 13, 2023.

Dokkedal-Silva V, et al. Clonazepam: Indications, Side Effects, and Potential for Nonmedical Use. Harv Rev Psychiatry. 2019;27(5):279-289. doi:10.1097/HRP.0000000000000227

 

 

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