

O paricalcitol é um análogo seletivo da vitamina D indicado para o tratamento do hiperparatireoidismo secundário associado à doença renal crônica (DRC). Seu uso reduz os níveis de PTH com menor impacto sobre cálcio e fósforo quando comparado a outros ativadores do receptor de vitamina D.
Neste artigo, veja quando indicar, como calcular a dose e quais parâmetros devem ser monitorizados durante o tratamento.
O que é o hiperparatireoidismo secundário na doença renal crônica?
O hiperparatireoidismo é caracterizado pelo aumento da secreção de paratormônio (PTH) pelas glândulas paratireoides. A condição pode ser primária, quando decorre de alterações intrínsecas da própria glândula, ou secundária, quando representa uma resposta compensatória a distúrbios do metabolismo mineral.
Na doença renal crônica (DRC), o hiperparatireoidismo secundário integra o espectro da doença mineral e óssea associada à DRC (DRC-MBD). A redução progressiva da função renal leva à diminuição da síntese de calcitriol (1,25-di-hidroxivitamina D), retenção de fósforo e redução da absorção intestinal de cálcio, favorecendo hipocalcemia e estimulando a secreção de PTH.
Além disso, a menor disponibilidade de calcitriol reduz a ativação do receptor de vitamina D (VDR) nas glândulas paratireoides, enfraquecendo o feedback negativo sobre a produção de PTH. Como consequência, ocorre hiperplasia progressiva das paratireoides e elevação persistente dos níveis séricos de PTH.
Quando o hiperparatireoidismo secundário permanece prolongado e grave, pode ocorrer evolução para hiperparatireoidismo terciário, situação em que as glândulas paratireoides passam a secretar PTH de forma autônoma, independentemente dos níveis de cálcio. Nessa fase, é comum a ocorrência de hiperplasia glandular acentuada e hipercalcemia, exigindo abordagem terapêutica específica.


Quando indicar paricalcitol
O paricalcitol está indicado para o tratamento do hiperparatireoidismo secundário em pacientes com doença renal crônica, especialmente naqueles em diálise.
A indicação deve considerar os níveis persistentes de PTH, após avaliação do metabolismo mineral e correção de fatores modificáveis, conforme as recomendações das diretrizes vigentes.
📌 Em comparação ao calcitriol, o paricalcitol apresenta menor potencial para induzir hipercalcemia e hiperfosfatemia, motivo pelo qual é frequentemente utilizado no manejo do hiperparatireoidismo secundário em pacientes com DRC.
Como prescrever paricalcitol
A administração é por via intravenosa, em bólus lento, e a dose inicial pode ser calculada de duas formas:
- Baseada no peso corporal: 0,04 a 0,1 mcg/kg (habitualmente entre 2,8 e 7 mcg);
- Baseada no PTH intacto (PTHi): dose inicial = PTH basal (pg/mL) ÷ 80.
A escolha do esquema depende da avaliação clínica e dos protocolos adotados pelo serviço.
Como monitorar o tratamento com paricalcitol
Os níveis séricos de PTH intacto (PTHi) devem ser reavaliados a cada 2 a 4 semanas no início do tratamento, permitindo o ajuste da dose conforme a resposta terapêutica.
De maneira geral:
- Redução do PTH inferior a 30%, manutenção ou aumento dos níveis: considerar aumentar a dose em 2 a 4 mcg;
- Redução do PTH entre 30% e 60%: manter a dose atual;
- Redução superior a 60% ou PTHi < 150 pg/mL: considerar reduzir a dose em 2 a 4 mcg.
Além da resposta do PTH, recomenda-se monitorar regularmente os níveis séricos de cálcio e fósforo, uma vez que alterações desses parâmetros podem exigir ajuste da dose ou interrupção temporária do tratamento.


📌 Pontos-chave da prescrição de paricalcitol:
- Indicado para hiperparatireoidismo secundário associado à DRC.
- Administração por via intravenosa em bólus lento.
- Dose inicial baseada no peso corporal ou no PTH intacto.
- Reavaliar PTHi a cada 2–4 semanas até estabilização.
- Monitorar PTH, cálcio e fósforo durante todo o tratamento.
Principais cuidados durante o tratamento com paricalcitol
Antes do início do tratamento, recomenda-se corrigir hipocalcemia e hiperfosfatemia, quando presentes. Além disso, revisar as possíveis interações medicamentosas. O uso concomitante com glicosídeos cardíacos (como a digoxina) pode aumentar o risco de toxicidade em caso de hipercalcemia.
Além disso, deve-se evitar a administração concomitante de outros análogos da vitamina D ou de medicamentos contendo vitamina D, devido ao maior risco de hipercalcemia. A utilização de compostos à base de fósforo também deve ser avaliada com cautela.


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Conteúdo atualizado em julho de 2026.
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Referências:
ZEMPLAR® (paricalcitol). Bula do profissional de saúde. AbbVie Farmacêutica Ltda.
Franchi M, Gunnarsson J, Gonzales-Parra E, Ferreira A, Ström O, Corrao G. Paricalcitol and Extended-Release Calcifediol for Treatment of Secondary Hyperparathyroidism in Non-Dialysis Chronic Kidney Disease: Results From a Network Meta-Analysis. J Clin Endocrinol Metab. 2023;108(11):e1424-e1432.

































