Nipocalimabe é aprovado para anemia hemolítica autoimune por anticorpos quentes

hemácias, células afetadas na anemia hemolítica autoimune por anticorpos quentes

Aprovação inédita de terapia para anemia hemolítica autoimune por anticorpos quentes no Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma nova indicação para o medicamento Imaavy® (nipocalimabe), que passa a ser autorizado para o tratamento da anemia hemolítica autoimune por anticorpos quentes (AHAI-Q) em adultos e adolescentes a partir de 12 anos de idade.

Com a decisão, o Brasil torna-se o primeiro país do mundo a aprovar o uso do nipocalimabe para essa condição, ampliando as opções terapêuticas para uma doença rara e potencialmente grave.

Resumo dos principais pontos sobre Nipocalimabe aprovado para anemia hemolítica autoimune por anticorpos quentes

 

O que é a anemia hemolítica autoimune por anticorpos quentes?

A anemia hemolítica autoimune por anticorpos quentes (AHAI-Q) é uma doença rara caracterizada pela produção de autoanticorpos do tipo IgG que se ligam às hemácias à temperatura corporal, levando à sua destruição precoce, predominantemente no baço. O teste de antiglobulina direta (TAD ou teste de Coombs direto) é positivo em aproximadamente 95% dos casos.

 

Como identificar um paciente com AHAI-Q?

As manifestações clínicas decorrem da hemólise e da anemia resultante, sendo comuns sintomas como fadiga, fraqueza, dispneia aos esforços, icterícia e colúria. Em apresentações mais graves, os pacientes podem necessitar de suporte transfusional.

O diagnóstico baseia-se na combinação de evidências laboratoriais de hemólise (incluindo elevação de LDH e bilirrubina indireta, redução da haptoglobina e reticulocitose) associadas ao TAD positivo para IgG, com ou sem positividade para C3d.

Também é fundamental diferenciar a AHAI-Q da doença por aglutininas frias, condição na qual o TAD geralmente é negativo para IgG e positivo apenas para C3d.

A doença pode ocorrer de forma primária (idiopática) ou estar associada a outras condições, como doenças linfoproliferativas, neoplasias, doenças autoimunes (especialmente lúpus eritematoso sistêmico), infecções e uso de determinados medicamentos. Por esse motivo, a investigação etiológica faz parte da avaliação inicial dos pacientes.

tubo de coleta de sangue para realização de exame investigando anemia hemolítica autoimune por anticorpos quentes

Leia também: A importância da contagem de reticulócitos na avaliação de uma anemia

 

Tratamento da anemia hemolítica autoimune por anticorpos quentes

Atualmente, os corticosteroides permanecem como tratamento de primeira linha. A maioria dos pacientes apresenta resposta inicial à prednisona ou à metilprednisolona, mas apenas uma parcela mantém remissão duradoura após a suspensão da terapia.

Nos últimos anos, estudos demonstraram que a associação de rituximabe aos corticosteroides pode aumentar significativamente as taxas de resposta sustentada, especialmente em pacientes com doença grave ou de maior risco.

Nos casos de recaída ou refratariedade, o rituximabe tornou-se a principal opção de segunda linha, substituindo progressivamente a esplenectomia, que hoje costuma ser reservada para situações selecionadas.

Outras alternativas incluem imunossupressores e terapias-alvo em desenvolvimento, entre elas o próprio nipocalimabe, que atua por meio do bloqueio do receptor neonatal Fc (FcRn), reduzindo os níveis circulantes de IgG patogênica.

Além do controle da hemólise, o manejo desses pacientes deve considerar complicações associadas à doença, como o aumento do risco de tromboembolismo venoso, e a necessidade de transfusão de concentrado de hemácias em situações de anemia grave e sintomática.

 

Como atua o nipocalimabe?

O nipocalimabe é um anticorpo monoclonal direcionado ao receptor neonatal Fc (FcRn).

Ao bloquear esse receptor, o medicamento reduz a reciclagem da imunoglobulina G (IgG), promovendo a diminuição dos níveis circulantes desses anticorpos.

Na AHAI-Q, esse mecanismo contribui para reduzir a quantidade de autoanticorpos responsáveis pela destruição das hemácias, atuando diretamente sobre um dos principais processos envolvidos na fisiopatologia da doença.

 

Aprovação prioritária pela Anvisa

A análise regulatória ocorreu em caráter prioritário, considerando que a AHAI-Q é uma doença rara, grave e debilitante, além de não existir, até o momento, uma terapia especificamente aprovada para essa indicação no Brasil.

O enquadramento foi realizado de acordo com os critérios estabelecidos pela RDC nº 1.001/2025, que prevê avaliação acelerada para medicamentos destinados ao tratamento de condições graves com necessidades terapêuticas ainda não plenamente atendidas.

A aprovação representa um marco regulatório para o tratamento da anemia hemolítica autoimune por anticorpos quentes e reforça o protagonismo do Brasil na incorporação de terapias inovadoras para doenças raras.

gota de sangue, representando a doação de sangue o tratamento das anemias

 

Referências:

BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE. Brasil é o primeiro país a aprovar medicamento para anemia hemolítica autoimune por anticorpos quentes. Publicado em 25/08/2026. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2026/brasil-e-o-primeiro-pais-a-aprovar-medicamento-para-anemia-hemolitica-autoimune-por-anticorpos-quentes Acessado em 26/08/2026.

Robert A. Brodsky. Warm Autoimmune Hemolytic Anemia. Published August 14, 2019. N Engl J Med 2019;381:647-654. DOI: 10.1056/NEJMcp1900554

Michel, M., Crickx, E., Fattizzo, B. et al. Autoimmune haemolytic anaemias. Nat Rev Dis Primers 10, 82 (2024). https://doi.org/10.1038/s41572-024-00566-2

 

 

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