PTH alto ou baixo? Como interpretar o exame de paratormônio na prática clínica

imagem representativa das glândulas paratireoides, que produzem paratormônio (PTH)

 

O paratormônio (PTH) é um hormônio produzido pelas glândulas paratireoides e desempenha papel central na regulação da homeostase do cálcio e do fósforo. Sua principal função é elevar os níveis séricos de cálcio em resposta à hipocalcemia, atuando sobre os ossos, rins e, indiretamente, sobre o intestino por meio da ativação da vitamina D.

A dosagem sérica de PTH é fundamental na investigação de distúrbios do metabolismo mineral, especialmente hiperparatireoidismo, hipoparatireoidismo e alterações dos níveis séricos de cálcio.

Explicando o exame de PTH

O PTH aumenta a concentração sérica de cálcio por diferentes mecanismos fisiológicos, incluindo aumento da reabsorção óssea, maior reabsorção renal de cálcio e estímulo à produção da forma ativa da vitamina D.

A dosagem sérica é indicada principalmente para avaliação de pacientes com suspeita de hiperparatireoidismo ou hipoparatireoidismo. Além disso, é uma ferramenta importante na investigação de alterações envolvendo cálcio, fósforo e vitamina D.

Níveis elevados de PTH podem ser observados em:

  • Hiperparatireoidismo primário, secundário ou terciário;
  • Produção ectópica ou peptídeos relacionados ao PTH por neoplasias;
  • Resposta fisiológica compensatória à hipocalcemia, especialmente nos casos de deficiência de vitamina D.

A interpretação do exame deve sempre ser realizada em conjunto com a dosagem sérica de cálcio, uma vez que as concentrações de PTH variam de acordo com o estado do metabolismo cálcico.

Níveis reduzidos de PTH podem ser observados em:

  • Hipoparatireoidismo;
  • Hipercalcemia secundária a neoplasias;
  • Intoxicação por vitamina D;
  • Sarcoidose;
  • Síndrome leite-álcali.

Pacientes submetidos à paratireoidectomia também apresentam redução significativa dos níveis circulantes de PTH.

Após sua secreção, o hormônio é metabolizado em diferentes fragmentos, incluindo porções N-terminal, intermediária e C-terminal.

Embora tanto o hormônio intacto quanto seus fragmentos possam ser utilizados na avaliação laboratorial, a dosagem de PTH intacto é a mais empregada na prática clínica por apresentar maior confiabilidade diagnóstica.

Quais os valores de referência do PTH?

  • PTH intacto: 10-65 pg/ml (ng/L).
  • N-terminal: 8-24 pg/ml (ng/L).
  • C-terminal: 50-330 pg/ml (ng/L).

 Os valores de referência podem variar conforme o método laboratorial utilizado.

médico segurando uma lupa com destaque para as glângulas paratireoides, que produzem paratormônio (PTH)

 

Hiperparatireoidismo primário, secundário e terciário

Hiperparatireoidismo primário

O hiperparatireoidismo primário decorre, na maioria dos casos, de um adenoma de paratireoide. Nessa condição, ocorre produção autônoma de PTH independentemente dos níveis séricos de cálcio.

O aumento hormonal persistente leva à hipercalcemia e pode se manifestar por fadiga, fraqueza muscular, poliúria, náuseas, vômitos e depleção de volume. Como o tecido ósseo representa o principal reservatório de cálcio do organismo, a estimulação contínua da reabsorção óssea pode resultar em osteopenia, osteoporose e osteíte.

Os níveis séricos de fósforo costumam estar reduzidos devido ao aumento da excreção urinária induzida pelo PTH.

 

Hiperparatireoidismo secundário

O hiperparatireoidismo secundário ocorre como resposta compensatória à hipocalcemia crônica. As principais causas incluem deficiência de vitamina D e doença renal crônica.

A deficiência de vitamina D reduz a absorção intestinal de cálcio e fósforo, favorecendo a elevação compensatória hormonal. Além disso, a vitamina D exerce feedback negativo sobre as paratireoides; portanto, sua deficiência contribui para aumento adicional da secreção hormonal.

 

esquema do metabolismo da vitamina D

 

Diferentemente do hiperparatireoidismo primário, os níveis séricos de cálcio costumam permanecer normais ou discretamente reduzidos.

O comportamento do fósforo depende da etiologia:

  • Doença renal crônica: fósforo elevado devido à retenção renal;
  • Deficiência de vitamina D, raquitismo ou osteomalácia: fósforo reduzido em decorrência da menor absorção intestinal e do aumento da excreção urinária induzida.

Hiperparatireoidismo terciário

O hiperparatireoidismo terciário representa a evolução de um hiperparatireoidismo secundário prolongado, geralmente associado à doença renal crônica avançada.

A estimulação persistente das paratireoides promove hiperplasia glandular e secreção autônoma de PTH. Como consequência, ocorre hipercalcemia, frequentemente acompanhada por deposição de fosfato de cálcio em tecidos moles, podendo causar lesão orgânica significativa.

 

Quais os cuidados na realização do exame?

Idealmente, a dosagem de PTH deve ser realizada simultaneamente à dosagem sérica de cálcio, permitindo interpretação mais adequada dos resultados.

Recomenda-se a coleta das amostras no período da manhã, preferencialmente por volta das 8 horas, uma vez que existe variação circadiana dos níveis hormonais. O pico fisiológico de secreção do PTH ocorre durante a madrugada, próximo das 2 horas.

Alguns fatores podem interferir nos resultados laboratoriais, incluindo:

  • Hemólise;
  • Lipemia;
  • Ingestão recente de leite, que pode reduzir falsamente os níveis hormonais;
  • Uso de medicamentos capazes de aumentar ou diminuir a concentração sérica do hormônio.

paciente realizando coleta de sangue para exame de PTH

E o PTH intraoperatório?

A dosagem intraoperatória é amplamente utilizada durante cirurgias para tratamento do hiperparatireoidismo primário.

Após a ressecção da glândula acometida, uma redução superior a 50% do valor basal em aproximadamente 10 minutos sugere fortemente que a fonte de produção excessiva de PTH foi removida com sucesso.

Na ausência dessa queda, deve-se considerar a possibilidade de tecido hiperfuncionante residual ou de outra glândula acometida.

Alguns autores recomendam aguardar até 20 minutos antes de ampliar a exploração cervical, estratégia que pode reduzir procedimentos desnecessários e minimizar o risco cirúrgico.

 

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Conteúdo atualizado em junho de 2026.

Referências:

Parathyroid hormone (PTH) blood test. Reviewed October 29, 2023. Accessed June 1, 2026.

Ghada El-Hajj Fuleihan, MD, MPH, FRCP, Harald Jüppner, MD. Parathyroid hormone assays and their clinical use. In: UpToDate, Waltham, MA. Accessed June 1, 2026.

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