

Os anticorpos anti-proteínas citrulinadas (ACPA) estão entre os principais marcadores laboratoriais utilizados na investigação da artrite reumatoide (AR). Na prática clínica, esses anticorpos são frequentemente avaliados pelo exame anti-CCP (anticorpo antipeptídeo citrulinado cíclico), conhecido pela sua elevada especificidade para a doença.
No entanto, um anti-CCP positivo isoladamente não confirma o diagnóstico de artrite reumatoide, devendo sempre ser interpretado junto aos critérios clínicos e laboratoriais.
Veja quando solicitar o exame anti-CCP, quais são os valores de referência e como interpretar seus resultados.
Quais anticorpos estão associados à artrite reumatoide?
Os principais autoanticorpos associados à artrite reumatoide (AR) são o fator reumatoide (FR) e os anticorpos anti-proteínas citrulinadas (ACPA), frequentemente avaliados na prática clínica pelo exame de anti-CCP (anticorpo antipeptídeo citrulinado cíclico).
📌 Anti-CCP ou ACPA: qual a diferença?
Embora sejam frequentemente utilizados como sinônimos na prática clínica, anti-CCP e ACPA não representam exatamente a mesma coisa.
Os ACPA correspondem a um grupo de autoanticorpos direcionados contra proteínas que passaram pelo processo de citrulinação. Já o anti-CCP é um dos principais exames laboratoriais utilizados para detectar esses anticorpos.
Na prática, o teste anti-CCP é o método mais empregado para identificar a presença de ACPA no soro e auxiliar no diagnóstico da artrite reumatoide.
O fator reumatoide (FR) é um autoanticorpo direcionado contra a porção Fc da imunoglobulina IgG, sendo mais frequentemente da classe IgM. Está presente em aproximadamente 70 a 80% dos pacientes com artrite reumatoide, porém apresenta especificidade limitada.
Dessa forma, um resultado negativo não exclui a doença, enquanto um resultado positivo pode ocorrer em outras condições autoimunes, doenças infecciosas crônicas e também em uma pequena parcela de indivíduos saudáveis.
Já os ACPA/anti-CCP apresentam sensibilidade semelhante ao fator reumatoide, mas possuem maior especificidade para artrite reumatoide, sendo importantes principalmente na investigação de casos iniciais ou com manifestações clínicas sugestivas. Além disso, sua presença está associada a um maior risco de doença persistente e evolução com dano articular.
Apesar de sua relevância diagnóstica, a positividade isolada do fator reumatoide ou do anti-CCP não confirma o diagnóstico de artrite reumatoide.
A interpretação deve ser realizada em conjunto com os achados clínicos, duração dos sintomas, acometimento articular e marcadores inflamatórios, conforme os critérios classificatórios ACR/EULAR.
Após o diagnóstico, os autoanticorpos não são utilizados rotineiramente para monitorar a atividade da doença ou resposta ao tratamento. Essa avaliação é feita principalmente por meio da atividade clínica da artrite e de marcadores inflamatórios, como a proteína C reativa (PCR) e a velocidade de hemossedimentação (VHS).
Outros autoanticorpos, como o fator antinuclear (FAN) e os anticorpos anticitoplasma de neutrófilos (ANCA), podem eventualmente estar presentes, mas não são específicos para artrite reumatoide e não fazem parte da avaliação sorológica principal da doença.
Como é feito o diagnóstico da artrite reumatoide?
A artrite reumatoide é uma doença inflamatória autoimune crônica caracterizada principalmente pelo acometimento das articulações periféricas, especialmente pequenas articulações das mãos e dos pés. Quando não diagnosticada e tratada precocemente, pode evoluir com destruição articular, deformidades e manifestações sistêmicas.


O diagnóstico da artrite reumatoide é baseado na combinação de avaliação clínica, exames laboratoriais e exames de imagem. Entre os achados avaliados estão o padrão de acometimento articular, duração dos sintomas, presença de autoanticorpos e marcadores de atividade inflamatória, como PCR e VHS.
Os critérios classificatórios mais utilizados atualmente foram estabelecidos em 2010 pelo American College of Rheumatology (ACR) e pela European Alliance of Associations for Rheumatology (EULAR). A classificação como artrite reumatoide é definida por uma pontuação igual ou superior a 6 em um total de 10 pontos, conforme os critérios abaixo:


(**) Pequenas articulações COM ou SEM grandes articulações.
(#) Baixo título = menor ou igual a 3 vezes o limite superior de normalidade. Alto título = maior que 3 vezes o limite superior de normalidade.
O que é o exame anti-CCP?
Os anticorpos anti-proteínas citrulinadas são autoanticorpos direcionados contra proteínas que passaram pelo processo de citrulinação. Na prática clínica, esses anticorpos são frequentemente avaliados pelo exame de anti-CCP (anticorpo antipeptídeo citrulinado cíclico), um dos principais marcadores laboratoriais associados à artrite reumatoide (AR).
A citrulinação é uma modificação pós-traducional na qual resíduos do aminoácido arginina são convertidos em citrulina pela ação de enzimas chamadas peptidil arginina deiminases (PADs).
Em indivíduos geneticamente predispostos, proteínas citrulinadas podem ser reconhecidas pelo sistema imunológico como antígenos, levando à produção de ACPA e contribuindo para a resposta autoimune envolvida na fisiopatologia da artrite reumatoide.
Esses autoanticorpos podem surgir anos antes do início dos sintomas articulares e estão associados a um maior risco de desenvolvimento de AR, além de maior probabilidade de doença persistente e erosões articulares.
O exame apresenta sensibilidade aproximada de 70 a 80% para artrite reumatoide e destaca-se principalmente pela sua alta especificidade, em torno de 90 a 95%.
Dessa forma, um resultado positivo aumenta significativamente a probabilidade diagnóstica da doença, especialmente em pacientes com manifestações clínicas compatíveis, mas não deve ser interpretado isoladamente.
Anti-CCP positivo e negativo: quais são os valores de referência?
Os valores de referência podem variar conforme o método utilizado e o fabricante do teste laboratorial. Por esse motivo, o resultado deve sempre ser interpretado de acordo com os intervalos de referência informados pelo laboratório responsável pela análise.
De maneira geral, os resultados podem ser classificados como:
Negativo: abaixo do valor de corte definido pelo método utilizado;
Baixo/Positivo fraco: valores discretamente acima do limite de referência;
Alto/Forte positivo: valores elevados, especialmente quando superiores a três vezes o limite superior da normalidade.
De acordo com os critérios classificatórios ACR/EULAR 2010 para artrite reumatoide, tanto o fator reumatoide quanto o ACPA/anti-CCP recebem maior pontuação quando estão presentes em altos títulos (>3 vezes o limite superior da normalidade do teste).
📌 É importante destacar que níveis mais elevados de autoanticorpos aumentam a probabilidade de artrite reumatoide em pacientes com manifestações clínicas compatíveis, porém o resultado isolado não estabelece o diagnóstico.
Anti-CCP positivo confirma artrite reumatoide?
Apesar da alta especificidade, um anti-CCP positivo não confirma isoladamente o diagnóstico de artrite reumatoide. O resultado deve ser interpretado considerando manifestações clínicas, exame físico, presença de sinovite e demais critérios classificatórios.


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Leia também:
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Conteúdo atualizado em julho de 2026.
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Referências
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van Venrooij WJ, van Beers JJ, Pruijn GJ. Nat Rev Rheumatol. 2011;7(7):391-398. Published 2011 Jun 7. doi:10.1038/nrrheum.2011.76

































