

Conheça o Inluriyo® (inlunestranto): mecanismo de ação, indicações, eficácia, segurança e resultados dos estudos no câncer de mama ER+.
Como funciona o Inluriyo® (inlunestranto)?
O Inluriyo® (inlunestranto) é um degradador seletivo do receptor de estrogênio (SERD) oral de nova geração indicado para o tratamento do câncer de mama. Diferentemente de outras terapias hormonais que apenas bloqueiam a ação do estrogênio, o inlunestranto atua promovendo a degradação do receptor de estrogênio alfa (ERα) presente nas células tumorais.
Ao se ligar ao receptor, o medicamento impede sua atividade e induz sua destruição, reduzindo a sinalização estrogênica responsável pelo crescimento do tumor. Como consequência, ocorre:
- degradação do receptor de estrogênio (ERα);
- bloqueio da transcrição gênica dependente de estrogênio;
- redução da proliferação das células tumorais;
- atividade antitumoral mesmo em tumores com mutações ESR1, frequentemente associadas à resistência à terapia endócrina.
Esse mecanismo permite uma inibição contínua da via do receptor de estrogênio, tornando o inlunestranto uma opção para pacientes cuja doença evoluiu após tratamento hormonal prévio.
📌 O Inluriyo® atua degradando o receptor de estrogênio presente nas células do câncer de mama, reduzindo o crescimento tumoral mesmo em pacientes com mutações ESR1 associadas à resistência ao tratamento hormonal.
Para quais pacientes o Inluriyo® é indicado?
O inlunestranto é indicado para o tratamento de adultos com câncer de mama localmente avançado ou metastático que apresentem as seguintes características:
- tumor receptor de estrogênio positivo (ER+);
- HER2-negativo (HER2-);
- presença de mutação ativadora de ESR1, confirmada por teste molecular;
- progressão da doença após pelo menos uma linha de terapia endócrina.
A identificação da mutação ESR1 é um requisito para a indicação terapêutica. Por esse motivo, recomenda-se a realização de teste molecular antes do início do tratamento para confirmar a elegibilidade do paciente.


Eficácia do Inluriyo®: o que mostraram os estudos?
A eficácia do imlunestrant foi avaliada principalmente no estudo de fase III EMBER-3, que comparou o medicamento com a terapia endócrina padrão em pacientes com câncer de mama ER+, HER2- previamente tratados.
Pacientes com câncer de mama ESR1 +
Nos pacientes com mutação ESR1, o inlunestrant demonstrou benefício clínico significativo em comparação com a terapia endócrina padrão (fulvestranto ou exemestano).
Os principais resultados foram:
- sobrevida livre de progressão (SLP) mediana: 5,5 meses versus 3,8 meses;
- sobrevida global mediana: 34,5 meses versus 23,1 meses;
- tempo médio restrito de sobrevida aos 19,4 meses: 7,9 meses versus 5,4 meses.
Esses resultados demonstram que o fármaco reduziu o risco de progressão da doença e proporcionou ganho de sobrevida em pacientes com mutação ESR1, reforçando seu benefício nessa população.
População geral
Na análise de todos os pacientes, independentemente da presença de mutação ESR1, não houve diferença estatisticamente significativa na sobrevida livre de progressão entre o inlunestranto e a terapia endócrina padrão.
Esse achado destaca a importância da realização de testes moleculares para identificar pacientes com câncer de mama ESR1 +, grupo que apresenta maior benefício com o tratamento.
Associação com abemaciclibe
A combinação de inlunestranto e abemaciclibe apresentou resultados superiores aos observados com o inlunestranto em monoterapia.
Nos estudos clínicos, a sobrevida livre de progressão mediana foi de 9,4 meses na análise inicial e de 10,9 meses na atualização dos dados, em comparação com 5,5 meses na monoterapia.
O benefício da associação foi observado independentemente do status da mutação ESR1, sugerindo que essa estratégia pode ampliar o controle da doença em diferentes perfis de pacientes.
Perfil de segurança do Inluriyo®
Nos estudos clínicos, o imlunestrant apresentou um perfil de segurança favorável, com predominância de eventos adversos leves a moderados. Na dose recomendada de 400 mg uma vez ao dia, os eventos adversos mais frequentes foram:
- náusea (39,2%);
- fadiga (39,2%);
- diarreia (29,4%).
A maioria dos eventos adversos foi de grau 1 ou 2. Eventos graves (grau ≥3) ocorreram em 17,1% dos pacientes tratados com inlunestrante, frequência inferior à observada com a terapia endócrina padrão (20,7%).
⭐ Além dos eventos adversos clínicos, o medicamento pode causar elevação das enzimas hepáticas, motivo pelo qual recomenda-se monitorização laboratorial periódica e ajuste de dose quando indicado.


Principais advertências
Antes de iniciar o tratamento, alguns cuidados são essenciais para garantir a segurança e a eficácia da terapia.
Confirmar a elegibilidade do paciente: o tratamento é indicado apenas para pacientes com câncer de mama ER+, HER2- e mutação ativadora de ESR1 confirmada por teste molecular.
Monitorar a função hepática: o fármaco pode causar elevação das transaminases (AST e ALT). Recomenda-se monitorização periódica das enzimas hepáticas e ajuste da dose ou suspensão do tratamento quando indicado.
Avaliar risco cardiovascular: antes do início da terapia, realizar avaliação cardiovascular abrangente. Recomenda-se calcular a estimativa de risco cardiovascular em 10 anos. Pacientes de alto risco devem ser acompanhados periodicamente.
Gravidez: o inlunestrante pode causar dano fetal. Deve-se excluir gestação antes do início do tratamento e orientar o uso de métodos contraceptivos eficazes durante o tratamento.
Redução da dose: quando necessária, a redução deve ser realizada em incrementos de 200 mg, sendo 200 mg uma vez ao dia a menor dose recomendada.
Interações medicamentosas
O inlunestranto é metabolizado principalmente pela CYP3A4, podendo sofrer alterações importantes de concentração quando administrado com medicamentos que modulam essa enzima.
Indutores potentes da CYP3A4: podem reduzir a concentração plasmática do inlunestranto e comprometer sua eficácia. Evitar a associação sempre que possível. Caso o uso concomitante seja inevitável, aumentar a dose do inlunestrante em 200 mg.
Inibidores potentes da CYP3A4: podem aumentar a concentração plasmática do inlunestranto e elevar o risco de eventos adversos. Evitar a associação sempre que possível. Caso não seja possível, reduzir a dose em 200 mg.
Ainda, o tratamento pode aumentar a exposição sistêmica a diversos medicamentos, incluindo antidepressivos, antipsicóticos, opioides, betabloqueadores, imunossupressores, estatinas, agentes antineoplásicos e alguns antimicrobianos. Utilizar com cautela e realizar monitorização clínica e laboratorial quando apropriado.
Resumo prático
Antes de iniciar o tratamento com o SERD oral inlunestrante, recomenda-se:
- confirmar a presença da mutação ESR1 por teste molecular;
- monitorar periodicamente a função hepática durante o tratamento;
- realizar avaliação do risco cardiovascular basal e acompanhar pacientes de maior risco;
- excluir gestação e orientar o uso de método contraceptivo eficaz quando indicado;
- ajustar a dose conforme a ocorrência de toxicidade ou de interações medicamentosas.
O inlunestranto é um SERD oral indicado para pacientes com câncer de mama ER+, HER2- e mutação ESR1 após progressão à terapia endócrina. Em estudos clínicos, demonstrou aumento da sobrevida livre de progressão e da sobrevida global nessa população, reforçando a importância da seleção adequada dos pacientes.
Leia também:
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Referências:
BRASIL, AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA – ANVISA. Anvisa aprova novo medicamento oral para câncer de mama. Publicado em 22/06/2026.
UpToDate. Imlunestrant: Drug information.
Jhaveri KL, et al. Imlunestrant with or without Abemaciclib in Advanced Breast Cancer. Published December 11, 2024. N Engl J Med 2025;392:1189-1202. DOI: 10.1056/NEJMoa2410858
Jhaveri KL, et al. Imlunestrant, an Oral Selective Estrogen Receptor Degrader, as Monotherapy and in Combination With Targeted Therapy in Estrogen Receptor-Positive, Human Epidermal Growth Factor Receptor 2-Negative Advanced Breast Cancer: Phase Ia/Ib EMBER Study. J Clin Oncol. 2024;42(35):4173-4186. doi:10.1200/JCO.23.02733

































