DHEA-S alto ou baixo? Como interpretar o exame e diferenciar alterações da adrenal

Representação das glândulas adrenais associada à interpretação do exame de DHEA-S

O DHEA e o DHEA-S são hormônios produzidos predominantemente pela adrenal e utilizados na avaliação da produção de andrógenos. Sua dosagem pode auxiliar na investigação de hiperandrogenismo, hiperplasia adrenal congênita, puberdade precoce, insuficiência adrenal e tumores produtores de hormônios.

Entre os dois exames, o DHEA-S é o mais empregado na prática clínica por apresentar maior estabilidade sérica e refletir de forma mais confiável a atividade adrenocortical.

O que é o DHEA-S e qual sua função?

A dehidroepiandrosterona (DHEA) e o sulfato de dehidroepiandrosterona (DHEA-S) são esteroides produzidos predominantemente na zona reticulada do córtex adrenal. Ambos atuam como precursores na síntese de andrógenos mais potentes, como androstenediona e testosterona, além de contribuírem para a produção periférica de estrógenos.

A síntese do DHEA ocorre a partir da pregnenolona, por meio da atividade da enzima CYP17A1. Posteriormente, parte do DHEA é convertida em sua forma sulfatada, que representa de 95% a 98% da concentração circulante desses hormônios.

Como sua produção ocorre quase exclusivamente na adrenal (com pequena contribuição gonadal nos homens), a dosagem sérica de DHEA e, principalmente, de DHEA-S pode ser utilizada como marcador da atividade androgênica adrenal.

 

Qual a diferença entre DHEA e DHEA-S?

O DHEA-S difere do DHEA pela adição de um grupo sulfato à molécula. Essa modificação permite a conversão reversível entre as duas formas, funcionando como um importante reservatório circulante de precursores androgênicos.

Aproximadamente 95% a 98% do DHEA circulante encontra-se na forma sulfatada.

Em comparação com o DHEA, a forma sulfatada apresenta maior ligação às proteínas plasmáticas e meia-vida significativamente mais prolongada, resultando em concentrações séricas mais estáveis.

Além disso, o DHEA-S sofre pouca influência do ritmo circadiano, ao contrário do DHEA, cujos níveis variam ao longo do dia. Por esse motivo, o DHEA-S é considerado um marcador mais confiável da produção androgênica adrenal e costuma ser o exame de escolha na avaliação da função adrenocortical.

Tubos de coleta de sangue sobre laudo laboratorial utilizado para dosagem de DHEA-S e avaliação da função adrenal

Como interpretar um DHEA-S alto ou baixo?

A interpretação do DHEA-S deve ser realizada em conjunto com o quadro clínico e outros exames hormonais. De forma geral, concentrações elevadas refletem aumento da produção adrenal de andrógenos.

Valores elevados podem ser observados na hiperplasia adrenal congênita, especialmente nas formas associadas à deficiência enzimática da esteroidogênese, devido ao aumento compensatório da secreção de ACTH.

Também podem ocorrer em tumores adrenais produtores de andrógenos, tumores ectópicos produtores de ACTH, síndrome de Cushing ACTH-dependente e, menos frequentemente, em algumas neoplasias ou hiperplasias ovarianas.

Clinicamente, o excesso de S-DHEA pode manifestar-se por sinais de hiperandrogenismo, como hirsutismo, acne e virilização em mulheres, além de puberdade precoce em crianças.

Por outro lado, valores reduzidos podem ser encontrados na insuficiência adrenal primária ou secundária e em situações de supressão do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal. Nesses casos, podem ocorrer manifestações relacionadas à deficiência androgênica, como redução da libido, atraso puberal e diminuição do bem-estar geral.

  • DHEA-S muito elevado: sugere origem adrenal, especialmente neoplasia adrenal
  • DHEA-S elevado: HAC, tumores adrenais, síndrome de Cushing ACTH-dependente, produção ectópica de ACTH
  • DHEA-S reduzido: insuficiência adrenal, hipopituitarismo, uso de glicocorticoides

 

Quando devemos solicitar o exame de DHEA-S?

A dosagem de DHEA-S está indicada principalmente na investigação de condições associadas a alterações da produção androgênica adrenal, incluindo:

  • Avaliação diagnóstica e monitoramento da hiperplasia adrenal congênita;
  • Investigação de hiperandrogenismo em mulheres, especialmente na presença de hirsutismo, acne, alopecia androgenética ou sinais de virilização;
  • Avaliação de puberdade precoce, adrenarca precoce e outras alterações do desenvolvimento puberal;
  • Investigação de tumores adrenais ou tumores ectópicos produtores de ACTH;
  • Auxílio na determinação da origem adrenal ou gonadal do hiperandrogenismo, em conjunto com outros marcadores hormonais, como testosterona total, androstenediona e 17-hidroxiprogesterona;
  • Investigação de suspeita de uso de esteroides anabolizantes ou outras situações relacionadas ao controle antidoping.

Quais são os valores de referência de DHEA-S?

Tabela com valores de referência de DHEA e DHEA-S para avaliação da função adrenal

Os valores de referência do DHEA-S variam conforme sexo, faixa etária e método laboratorial. Por isso, a interpretação deve sempre considerar os intervalos fornecidos pelo laboratório.

Além disso, alguns fatores podem interferir nos resultados.

Medicamentos como o clomifeno podem elevar as concentrações séricas de S-DHEA, enquanto glicocorticoides exógenos podem reduzi-las por supressão da produção adrenal de andrógenos.

 

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Conteúdo atualizado em junho de 2026.

Referências:

Nenezic N, Kostic S, Strac DS, et al. Dehydroepiandrosterone (DHEA): Pharmacological Effects and Potential Therapeutic Application. Mini Rev Med Chem. 2023;23(8):941-952. doi:10.2174/1389557522666220919125817

Pagana, KD; Pagana TJ. Mosby’s Manual of Diagnostic and Laboratory Tests. 6 ed. – Elsiever – 2017

 

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