

Vyalev®: nova terapia aprovada pela Anvisa utiliza infusão subcutânea contínua de foslevodopa e foscarbidopa para reduzir períodos “off” e melhorar o controle motor em pacientes com Parkinson avançado.
Infusão subcutânea contínua de foslevodopa e foscarbidopa reduz períodos “off” e melhora a estabilidade motora em pacientes com Parkinson avançado
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, em 25 de maio, o medicamento Vyalev® (foslevodopa + foscarbidopa hidratada) para o tratamento de pacientes com doença de Parkinson avançada que apresentam flutuações motoras graves e debilitantes, sem resposta adequada às terapias disponíveis.
Desenvolvido pela AbbVie, o medicamento é indicado para pacientes que apresentam oscilações importantes na resposta à levodopa, alternando períodos de bom controle dos sintomas (“on”) com momentos de retorno ou piora dos sintomas motores (“off”).
A aprovação representa uma nova alternativa terapêutica para o manejo do Parkinson avançado, especialmente em indivíduos com necessidade de estabilização dopaminérgica contínua.
Por que pacientes com Parkinson avançado desenvolvem períodos “off”?
Com a progressão da doença, pacientes em uso prolongado de levodopa oral frequentemente desenvolvem flutuações motoras, caracterizadas pela alternância entre períodos de bom controle dos sintomas e momentos de piora clínica, conhecidos como períodos “off”.
Esse fenômeno ocorre porque, ao longo do tempo, o cérebro passa a demandar uma oferta mais estável de dopamina. No entanto, a levodopa oral apresenta farmacocinética pulsátil: cada comprimido promove um pico de concentração plasmática, seguido por queda progressiva.
Essa oscilação pode resultar em manifestações clínicas relevantes, como:
- períodos “on”, em que há resposta terapêutica adequada;
- períodos “off”, quando ocorre redução do efeito medicamentoso;
- discinesias induzidas pela levodopa, caracterizadas por movimentos involuntários geralmente associados ao pico de concentração da medicação.


Quando considerar infusão contínua de levodopa no Parkinson avançado?
Nesse contexto, a infusão contínua de levodopa surge como estratégia para manter níveis mais constantes do fármaco no organismo, reduzindo oscilações motoras e promovendo maior estabilidade clínica ao longo do dia.
O Vyalev®, administrado por infusão subcutânea contínua, pode beneficiar especialmente pacientes que apresentam:
- períodos “off” frequentes;
- discinesias relacionadas ao pico de dose;
- dificuldade de manter estabilidade motora diária;
- resposta irregular ao tratamento oral convencional.
Portanto, embora não seja indicado para todos os pacientes com doença de Parkinson, o medicamento pode representar ganho significativo em qualidade de vida para aqueles com sintomas refratários e flutuações motoras incapacitantes.
Como age o Vyalev®? Entenda a foslevodopa e foscarbidopa
A foslevodopa e foscarbidopa são pró-fármacos convertidos in vivo em levodopa e carbidopa, respectivamente.
- A carbidopa atua inibindo a descarboxilação periférica da levodopa, permitindo maior disponibilidade do fármaco para atravessar a barreira hematoencefálica.
- Já a levodopa, precursor metabólico da dopamina, é convertida no sistema nervoso central em dopamina, compensando parcialmente a deficiência dopaminérgica característica da doença de Parkinson.
Esse mecanismo é responsável pela melhora dos sintomas motores, como bradicinesia, rigidez, tremor e instabilidade motora relacionada aos períodos “off”.
O medicamento é disponibilizado como solução injetável subcutânea, contendo:
- 120 mg de foscarbidopa;
- 2.400 mg de foslevodopa.
O uso é contraindicado em pacientes com utilização concomitante ou recente de inibidores da monoaminoxidase não seletivos (IMAOs).


Dose e administração da infusão contínua de levodopa no Parkinson
A dose do Vyalev® deve ser individualizada com base na dose total diária de levodopa (TLD) previamente utilizada pelo paciente.
O cálculo terapêutico segue algumas etapas:
- Converter todas as formulações de levodopa para equivalentes de liberação imediata;
- Ajustar a dose em pacientes em uso concomitante de inibidores da COMT;
- Excluir doses de resgate e administração noturna;
- Calcular a dose diária de foslevodopa multiplicando a TLD por 1,3;
- Determinar o volume diário dividindo a dose total (mg) por 240;
- Calcular a taxa de infusão conforme o período de administração, geralmente durante as horas de vigília, embora possa ser mantida por 24 horas, conforme necessidade clínica.
A dose máxima recomendada é de 3.525 mg/dia de foslevodopa, equivalente a aproximadamente 2.500 mg/dia de levodopa.
Vyalev®: monitorização e principais efeitos adversos
Durante o tratamento com Vyalev®, recomenda-se monitorização clínica e laboratorial regular, incluindo:
- níveis séricos de vitaminas do complexo B;
- avaliação do local de infusão para sinais de infecção ou reação local;
- acompanhamento da pressão intraocular em pacientes com glaucoma;
- observação de possível piora dos sintomas motores ou neuropsiquiátricos.
Os eventos adversos mais frequentemente associados ao tratamento incluem:
- reação no local da infusão;
- infecção local;
- discinesia;
- alucinações;
- sonolência excessiva;
- distúrbios do controle de impulsos;
- possível aumento do risco cardiovascular;
- elevação da pressão intraocular.
Caso seja necessária interrupção do tratamento, a retirada deve ser realizada de forma gradual, para minimizar riscos de descompensação clínica.


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Referências:
RUBENS GISBERT CURY. Foslevodopa para Parkinson: o que é, como funciona e para quem é indicado. https://rubenscury.com.br/blog/foslevodopa-para-parkinson/. Acesso em 26 de maio de 2026.
ABBVIE. VYALEV. https://www.rxabbvie.com/pdf/vyalev_pi.pdf. Acesso em 26 de maio de 2026.
ANVISA. Anvisa aprova novo medicamento para doença de Parkinson. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2026/anvisa-aprova-novo-medicamento-para-doenca-de-parkinson. Publicado em 25/05/2026. Acesso em 26 de maio de 2026.
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