Vaginismo e Dispareunia: qual a diferença?

O vaginismo é o espasmo involuntário dos músculos ao redor da abertura da vagina, impedindo a penetração. Em muitos casos, pode envolver dor vulvovaginal ou pélvica (dispareunia).

Vaginismo e dispareunia são condições que fazem parte das dinfuções sexuais femininas. Mas você sabe a diferença entre elas?

Disfunções sexuais acometem cerca de 40% da população feminina

Disfunções sexuais, de forma geral, ocorrem em cerca de 40% das mulheres no mundo. Cerca de 22% destas apresentam sofrimento emocional associado. Sabe-se que a prevalência é maior em sociedades nas quais o sexo é tabu e/ou a sexualidade feminina é reprimida.

Estima-se que relações sexuais dolorosas ocorram em cerca de 10-20% das pessoas com vagina sexualmente ativas. No entanto, a real incidência é difícil de determinar, visto que:

  1. Há confusão dos termos vaginismo e dispareunia.
  2. Nem todas as pessoas com vagina são mulheres.
  3. Nem todas as pessoas com vagina relatam a condição aos médicos.
  4. Muitos estudos excluem pessoas que praticam sexo sem penetração – o que também pode causar dispareunia em alguns casos, além de que a ausência de penetração pode ser pelo medo associado à ela.

vaginismo e dispareunia

O que é o Transtorno da dor gênito-pélvica / penetração?

O Transtorno da dor gênito-pélvica / penetração é caracterizado por pelo menos um dos seguintes:

1) Dificuldade acentuada de penetração, persistente ou recorrente, com com contração involuntária dos músculos no último terço da vagina ou aumento da tensão do assoalho pélvico (vaginismo).

2) Dor vulvovaginal ou pélvica antes, durante ou logo após atividades que envolvam penetração (dispareunia).

3) Medo ou ansiedade de caráter excessivo ou irracional, persistente ou recorrente, desencadeado pela situação ou por antecipação de ter dor vulvovaginal ou pélvica devido a penetração (durante ou após).

Veja que vaginismo e dispareunia não são sinônimos!

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Vaginismo e dispareunia: semelhanças e diferenças

O vaginismo é uma das principais causas de dor na relação sexual. É caracterizado pelo espasmo involuntário, recorrente ou persistente, dos músculos ao redor da abertura da vagina, impedindo a penetração no ato sexual, assim como uso de dispositivos médicos e tampões. É causado principalmente por fatores psicológicos – sendo associado a um sofrimento emocional significativo.

Já a dispareunia é definida como a dor vulvovaginal ou pélvica, recorrente ou persistente, imediatamente antes, durante ou depois da relação sexual. Pode ser superficial ou profunda, primária ou secundária.

Ambos fazem parte de um transtorno que é provocado ou exacerbado durante o contato sexual, envolvendo clitóris, vulva, vagina e/ou períneo. Mais de 70% das mulheres com vaginismo apresentam sintomas dolorosos na relação sexual. No entanto, o contrário não é equivalente – menos da metade das mulheres com dispareunia apresentam sintomas de contração excessiva da muscula pélvica.

No vaginismo, a causa é principalmente psicológica, e necessariamente há um sofrimento emocional (fobia). Na dispareunia, a causa pode ser psicológica ou física. Ainda, o vaginismo pode estar relacionado ao abuso sexual e/ou emocional. A dispareunia pode estar relacionada ao abuso sexual, mas pouco provável ao emocional.

Por fim, o tratamento também é diferente. No vaginismo, o tratamento é focado na parte psicológica e redução das contrações. Na dispareunia, deve-se tratar causas subjacentes e realizar controle da dor.

Vaginismo e Dispareunia: qual a diferença?

Ciclo de manutenção de sintomas

A fisiopatologia do vaginismo não é bem esclarecida. Já no caso da dispareunia, depende principalmente da etiologia, principalmente em condições físicas / hormonais.

Embora vaginismo e dispareunia não sejam a mesma coisa, grande parte das mulheres com vaginismo experimenta sensação de dor, assim como parte das mulheres com dispareunia realiza contração pélvica exacerbada e associada ao medo. Nesses casos, há formação de um ciclo:

1) Paciente tem uma experiência sexual negativa, podendo ou não envolver penetração.

2) Surgem pensamentos catastróficos e medo em relação ao sexo.

3) Paciente evita situações relacionadas ao sexo ou fica hipervigilante quando há estímulo associado.

4) Pode haver contração pélvica defensiva e exacerbada (envolvendo os músculos elevador do ânus, bulbocavernoso, perivaginais), dificultando qualquer tipo de penetração.

5) Na tentativa, há desconforto intenso, confirmando as experiências negativas e repetindo o ciclo.

Vaginismo e Dispareunia: qual a diferença?

Como diagnosticar?

O diagnóstico de vaginismo ou de dispareunia pode ser desafiador, e requer anamnese completa e exclusão de todos os possíveis diagnósticos diferenciais.

Em caso de dispareunia, o diagnóstico é fechado na presença de dor na região vulvovaginal na atividade sexual, imediatamente antes, durante ou após o evento sexual. Porém, é necessário determinar a etiologia da condição.

Já em casos de vaginismo, o diagnóstico pode ser fechado por critérios subjetivos e objetivos.

Critérios subjetivos:

– Dificuldade de penetração vaginal de qualquer tipo – pênis, dedo, absorventes ou qualquer outro objeto.

– Sofrimento emocional associado – na situação, ou por antecipação.

– Em decorrência do medo e/ou ansiedade, há evitação de penetração ou hipervigilância quando há tentativa de penetração.

 

Critérios objetivos:

– Espasmos musculares no momento do exame ginecológico, ou identificado por eletromiografia. Em caso de incapacidade de realizar o exame vaginal por contração intensa, o diagnóstico já pode ser fechado.

– Sintomas por pelo menos 6 meses ou em mais de 50% do tempo.

– Ausência de outras condições que justifiquem os sintomas.

Vaginismo e Dispareunia: qual a diferença?

Em ambos os casos, o teste do cotonete pode ajudar, pois permite identificar regiões dolorosas na região vulvar/vaginal, bem como contração muscular associada.

Na suspeita diagnóstica de vaginismo e/ou dispareunia, alguns cuidados devem ser tomados durante a avaliação ginecológica. Em caso de vaginismo, ao toque vaginal simples já é possível identificar contração muscular.

Para realização de exame especular, sugere-se posicionar a paciente de forma que o exame fique mais tolerável – pernas bem apoiadas, mesa encostada na parede para paciente apoiar o joelho ou posição de Sims (reclinada lateralmente). Além disso, preferir uso de espéculos menores e lubrificantes.

Lembre-se: muitas pessoas com vagina podem se sentir desconfortáveis em relatar a situação. Por essa razão, é essencial que o profissional construa uma relação de segurança.

Vaginismo e Dispareunia: qual a diferença?

Dispareunia pode acometer homens

Todo o tema de dispareunia é principalmente focado em mulheres. Como comentamos, por definição, a dispareunia é a dor na região genital associada com a relação sexual. Logo, embora menos comum, também pode afetar homens.

Em caso de dispareunia masculina (homens com pênis), a dor deve ser associada à disfunção sexual, presente por pelo menos 3 meses. É mais difícil de diagnosticar, visto que os homens se sentem mais constrangidos em falar sobre o assunto.

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Referências:

Raveendran, A. V., & Rajini, P. (2024). Vaginismus: Diagnostic Challenges and Proposed Diagnostic Criteria. Balkan medical journal, 41(1), 80–82. https://doi.org/10.4274/balkanmedj.galenos.2023.2022-9-62

Tayyeb, M., & Gupta, V. (2023). Dyspareunia. In StatPearls. StatPearls Publishing.

 

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