

O Ministério da Saúde incorporou a vacina pneumocócica 20-valente (VPC20) ao Sistema Único de Saúde (SUS) para pessoas com situações especiais. A mudança amplia a cobertura contra sorotipos de Streptococcus pneumoniae e modifica esquemas vacinais previamente realizados com VPC10, VPC13 e VPP23.
Como funciona a vacina pneumocócica 20-valente?
A vacina pneumocócica 20-valente (VPC20) é formada por 20 sorotipos de polissacarídeos capsulares de pneumococos: 1, 3, 4, 5, 6A, 6B, 7F, 8, 9V, 10A, 11A, 12F, 14, 15B, 18C, 19A, 19F, 22F, 23F e 33F. Os sorotipos são conjugados com a proteína transportadora CRM197, a fim de orientar uma resposta imunológica T dependente.
A VPC20 apresenta alta eficácia e forte resposta imunológica contra doença pneumocócica invasiva, pneumonia e outras infecções causadas por Streptococcus pneumoniae.
Em estudos pediátricos, após o esquema vacinal, mais de 90% das crianças atingiram níveis considerados protetores de anticorpos para os sete novos sorotipos incluídos na VPC20.
Nos estudos em adultos, a VPC-20 apresentou resposta imune considerada não inferior à VPC13 para os 13 sorotipos já conhecidos, além de resposta robusta para os sorotipos adicionais.
👉 VPC20 x VPC13 x VPP23: qual a diferença?
VPC20 → 20 sorotipos conjugados
VPC13 → 13 sorotipos conjugados
VPP23 → 23 sorotipos polisacarídicos
A VPC20 amplia cobertura sem necessidade posterior de VPP23 em muitos casos
Quem deve receber a vacina pneumocócica 20-valente no SUS?
Segundo a Nota Técnica publicada pelo Ministério da Saúde em maio de 2026, a VPC20 está indicada em estratégias especiais no SUS a partir de 2 meses de idade:
- Pessoas vivendo com HIV/AIDS.
- Pacientes oncológicos com doença em atividade ou até alta médica.
- Transplantados de órgãos sólidos.
- Transplantados de células-tronco hematopoiéticas (TCTH).
- Terapia CART-cell (receptor de antígeno quimérico da célula T).
- Asplenia anatômica ou funcional e doenças relacionadas.
- Imunodeficiências primárias ou erros inatos da imunidade.
- Fibrose cística.
- Fístula liquórica e derivação ventrículo-peritoneal.
- Imunodeficiência devido à imunodepressão terapêutica.
- Implante coclear.
- Nefropatias crônicas / hemodiálise / síndrome nefrótica.
- Pneumopatias crônicas, exceto asma intermitente ou persistente leve.
- Asma persistente moderada ou grave.
- Cardiopatias crônicas.
- Hepatopatias crônicas.
- Doenças neurológicas crônicas incapacitantes.
- Trissomias.
- Diabetes.
- Doenças de depósito.
- Prematuros (< ou = 36 semanas e seis dias) até 23 meses de idade.
No sistema privado de saúde do Brasil, a vacina está disponível para prevenção de doença pneumocócica em bebês, crianças, adolescentes e adultos, a partir dos 6 meses de idade.
Qual é o esquema vacinal da VPC20 no SUS?
Para bebês e crianças não previamente vacinados contra pneumococos, a indicação de uso da vacina é a seguinte:
- De 2-6 meses de idade:
- Esquema primário de três doses (0 / 2 / 4 meses) +
- Dose de reforço (12-15 meses).
- Entre 7-11 meses:
- Duas doses (0 / 2 meses) +
- Dose de reforço (12-15 meses).
- Entre 12-59 meses:
- Duas doses (0 / 2 meses).
- A partir de 5 anos (incluindo adultos):
- Dose única – exceto em caso de transplante de células-tronco hematopoéticas e terapia CAR-T.
Para bebês e crianças previamente vacinados com VPC10, o uso da vacina depende da idade da criança e do esquema já realizado:
- Bebês de 2 meses, com 1ª dose de VCP10: completar o esquema de vacinação com a VPC20
- Dose aos 2 meses +
- Dose aos 4 meses +
- Reforço aos 12 meses +
- Dose adicional aos 15-59 meses.
- Bebês de 4 meses, com 2 doses de VCP10: completar o esquema de vacinação com a VPC20
- Dose aos 4 meses +
- Reforço aos 12 meses.
- Bebês de 6 meses, com 3 doses de VCP10:
- VPC20 de reforço aos 12 meses +
- Dose adicional com intervalo de 8 semanas.
- Bebês de 12 meses até 4 anos, com VCP10 completa:
- Duas doses de VPC20 com intervalo de 8 semanas entre elas.
Da mesma forma, para bebês e crianças previamente vacinados com VPC13:
- Bebês de 2 meses, com 1ª dose de VCP13: completar o esquema de vacinação com a VPC20
- Dose aos 2 meses +
- Dose aos 4 meses +
- Reforço aos 12 meses +
- Dose adicional aos 15-59 meses.
- Bebês de 4 meses, com 2 doses de VCP13: completar o esquema de vacinação com a VPC20
- Dose aos 4 meses +
- Reforço aos 12 meses.
- Bebês de 6 meses, com 3 doses de VCP13:
- VPC20 de reforço aos 12 meses.
- Bebês de 12 meses até 4 anos, com VCP13 completa:
- Dose adicional de VPC20 com 15-59 meses.
VPC20: principais recomendações e situações especiais
- Crianças e adultos que já tenham recebido duas doses da vacina pneumocócica polissacarídica 23-valente (VPP23) são considerados adequadamente imunizados, não havendo recomendação de dose adicional da VPC 20.
- Crianças e adultos com esquema vacinal completo realizado com VPC10 ou VPC13, mas sem aplicação prévia da VPP23, devem receber uma dose única da VPC20. Deve-se respeitar um intervalo mínimo de oito semanas após a última dose de vacina pneumocócica conjugada. Após essa dose, não há indicação de reforços adicionais.
- A aplicação da VPC 20 deve ser iniciada somente após a utilização completa dos estoques disponíveis de VPC13 e VPP23.
- Pessoas imunizadas com a VPC20 não necessitam receber doses adicionais da VPP23.
- Pacientes submetidos ao TCTH devem ser considerados não vacinados após o procedimento, mesmo que tenham recebido vacinas previamente.
- Em crianças a partir de 12 meses e em adultos pós-TCTH, recomenda-se um esquema vacinal composto por três doses, com intervalo de dois meses entre elas.
- No SUS, a VPC20 é destinada a indivíduos com condições clínicas especiais. Sua incorporação amplia a cobertura contra mais sorotipos de Streptococcus pneumoniae em comparação às vacinas pneumocócicas anteriormente disponíveis.
- Na rede privada, a vacina pode ser utilizada em qualquer pessoa com idade superior a seis semanas, conforme indicação do esquema vacinal.


A incorporação da VPC 20 representa uma atualização relevante da estratégia de prevenção da doença pneumocócica no Brasil, especialmente para pacientes imunocomprometidos e grupos de maior risco.
A ampliação da cobertura sorotípica pode reduzir casos graves e simplificar esquemas vacinais anteriormente dependentes da associação entre vacinas conjugadas e polissacarídicas
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Referências:
Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Departamento do Programa Nacional de Imunizações. Coordenação-Geral de Incorporação Científica e Imunização. NOTA TÉCNICA Nº 45/2026-CGICI/DPNI/SVSA/MS.
Prevenar 20. Pfizer Brasil Ltda.
Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). Vacinas pneumocócicas conjugadas. Atualizado em 06/06/2025. Disponível em: https://familia.sbim.org.br/vacinas/vacinas-disponiveis/vacinas-pneumococicas-conjugadas
Martinón-Torres F, et al. A phase 3 study of 20-valent pneumococcal conjugate vaccine in healthy toddlers previously vaccinated in infancy with 13-valent pneumococcal conjugate vaccine. Vaccine. 2025;53:126931. doi:10.1016/j.vaccine.2025.126931
Brandon Essink, et al. Pivotal Phase 3 Randomized Clinical Trial of the Safety, Tolerability, and Immunogenicity of 20-Valent Pneumococcal Conjugate Vaccine in Adults Aged ≥18 Years, Clinical Infectious Diseases, Volume 75, Issue 3, 1 August 2022, Pages 390–398, https://doi.org/10.1093/cid/ciab990

































