Síndromes geriátricas: conheça os 7 Is da geriatria

paciente idoso sendo avaliado por médica quanto às síndromes geriátricas e os 7 Is da geriatria

Os chamados 7 Is da geriatria constituem um recurso didático para organizar problemas frequentes no cuidado à pessoa idosa: imobilidade, instabilidade, incontinência, insuficiência cognitiva, iatrogenia, insônia e isolamento social.

 

O que são síndromes geriátricas?

As síndromes geriátricas são condições clínicas multifatoriais, frequentemente decorrentes da interação entre alterações de diferentes sistemas orgânicos, doenças crônicas, medicamentos, fatores ambientais e vulnerabilidades individuais.

Diferentemente de doenças com mecanismos fisiopatológicos mais delimitados, essas síndromes podem apresentar múltiplas causas que se sobrepõem. Sua manifestação depende não apenas da doença subjacente, mas também da reserva fisiológica, da funcionalidade e do contexto em que a pessoa idosa está inserida.

Entre as principais síndromes geriátricas e condições que acometem os idosos, destacam-se:

  • Delirium: alteração aguda e flutuante da atenção e da consciência, geralmente associada a uma condição clínica subjacente.
  • Quedas e instabilidade postural: eventos e alterações relacionados a fatores intrínsecos, medicamentos e condições ambientais.
  • Incontinência urinária e fecal: perda involuntária de urina ou fezes, com repercussões clínicas, funcionais e sociais.
  • Imobilidade e declínio funcional: redução da capacidade de movimentação ou de realização das atividades cotidianas.
  • Lesões por pressão: danos à pele e aos tecidos subjacentes associados, entre outros fatores, à pressão prolongada e à imobilidade.
  • Comprometimento cognitivo: alterações que podem variar de déficits cognitivos leves a transtornos neurocognitivos maiores, incluindo as demências.
  • Depressão: condição que pode comprometer o humor, a cognição, a participação social e a funcionalidade.
  • Fragilidade e sarcopenia: condições relacionadas, respectivamente, à maior vulnerabilidade a estressores e à redução da força e da função muscular, com repercussões sobre a mobilidade e a independência.

Essas condições podem se potencializar. Uma infecção, por exemplo, pode desencadear delirium, reduzir a mobilidade e provocar perda funcional. A imobilidade subsequente pode aumentar o risco de lesões por pressão, perda de massa muscular e dependência.

Por isso, a avaliação deve buscar não apenas a condição mais evidente, mas também os fatores que contribuíram para seu aparecimento e os problemas que podem surgir em consequência dela.

Mini exame do estado mental sendo aplicado em paciente idoso durante avaliação cognitiva

O que são os Is da geriatria?

Os Is ajudam a direcionar a avaliação clínica para diferentes dimensões da saúde da pessoa idosa. Embora relacionados, esses problemas apresentam manifestações e fatores associados distintos e podem coexistir, potencializando seus impactos.

Os is da geriatria: imobilidade, instabilidade, incontinência, insuficiência cognitiva, iatrogenia, insônia e isolamento social

Imobilidade

A imobilidade corresponde à restrição significativa da capacidade de movimentação, podendo comprometer transferências, marcha e realização das atividades cotidianas. Pode estar associada a doenças agudas ou crônicas, dor, alterações neurológicas, fraqueza muscular e descondicionamento físico.

A restrição prolongada da mobilidade favorece complicações como perda de massa e força muscular, lesões por pressão, tromboembolismo venoso e declínio funcional.

Instabilidade

A instabilidade envolve alterações do equilíbrio e da marcha, que podem aumentar o risco de quedas e lesões. Sua origem costuma ser multifatorial, incluindo alterações sensoriais, fraqueza muscular, doenças neurológicas, hipotensão ortostática, medicamentos e fatores ambientais.

 

Incontinência

A incontinência urinária ou fecal é caracterizada pela perda involuntária de urina ou fezes. Pode estar relacionada a alterações urológicas, gastrointestinais, neurológicas ou funcionais, além de medicamentos e dificuldades de acesso ao banheiro.

Embora frequente na população idosa, não deve ser considerada uma consequência inevitável do envelhecimento.

 

Insuficiência cognitiva

A insuficiência cognitiva, conforme a nomenclatura utilizada nesta classificação, abrange alterações de funções como memória, atenção, orientação, linguagem e funções executivas.

É importante diferenciar alterações crônicas, como as observadas nos transtornos neurocognitivos, de quadros agudos, como o delirium. Este último apresenta início recente, flutuação dos sintomas e comprometimento da atenção, exigindo investigação rápida de possíveis causas clínicas.

 

Iatrogenia

A iatrogenia corresponde a danos decorrentes de intervenções em saúde, incluindo medicamentos, procedimentos e outras condutas diagnósticas ou terapêuticas.

Na pessoa idosa, o risco pode ser ampliado pela multimorbidade, pela polifarmácia e por alterações farmacocinéticas e farmacodinâmicas relacionadas ao envelhecimento.

Entre as possíveis repercussões estão reações adversas a medicamentos, hipotensão, quedas, delirium e declínio funcional.

 

Insônia

A insônia envolve dificuldade para iniciar ou manter o sono, despertar precoce ou sono não reparador, acompanhados de repercussões diurnas. Na pessoa idosa, pode estar associada a doenças clínicas, dor, transtornos do humor, alterações ambientais, hábitos inadequados de sono e uso de medicamentos.

É importante distinguir a insônia de mudanças fisiológicas do sono relacionadas à idade, como maior fragmentação do sono e alterações no horário de dormir e despertar.

 

Isolamento social

O isolamento social corresponde à redução objetiva das interações e dos contatos sociais. Embora relacionado, não é sinônimo de solidão, que representa a experiência subjetiva de desconexão ou falta de vínculos significativos.

Entre os fatores associados estão perdas familiares, limitações funcionais, dificuldades de mobilidade, barreiras de transporte, déficits sensoriais e condições socioeconômicas desfavoráveis.

O isolamento social pode comprometer o acesso aos cuidados de saúde, a adesão ao tratamento e a participação em atividades cotidianas. Também está associado a desfechos adversos de saúde, embora a magnitude e os mecanismos dessas relações variem conforme o contexto.

paciente idosa sentada na cama, sendo acolhida por profissional de saúde, por apresentar síndromes geriátricas

Qual é a importância dos 7 Is na avaliação geriátrica?

Os 7 Is não constituem uma classificação diagnóstica universal nem substituem a avaliação clínica. Sua principal utilidade é funcionar como um roteiro para lembrar o profissional de investigar problemas que podem passar despercebidos quando a consulta se concentra exclusivamente em doenças específicas.

Na prática, os domínios se sobrepõem. Uma pessoa idosa com quedas recorrentes, por exemplo, pode apresentar fraqueza muscular, hipotensão associada a medicamentos, alterações cognitivas e isolamento social. Da mesma forma, a imobilidade pode agravar a perda funcional e reduzir as oportunidades de interação social.

A avaliação deve considerar as condições clínicas, a funcionalidade, a cognição, os medicamentos em uso e o contexto social e ambiental. Quando necessário, a avaliação geriátrica ampla permite integrar essas informações e estabelecer prioridades de cuidado.

 

Aprofunde seus conhecimentos:

Escala de Lawton na avaliação da Autonomia do Idoso

Como a escala CAM-ICU pode ajudar no diagnóstico de Delirium?

MEEM (Mini Exame do Estado Mental): passo a passo para aplicar e interpretar

Dormir bem, que mal tem? O efeito do sono na Doença de Alzheimer.

Mulheres com osteoporose pós-menopausa: por que estar atento ao risco de fratura

Demência avançada: como reconhecer o fim de vida e alinhar decisões de cuidado

 

—

Referências:

Eduardo Garcia et al. Essências em geriatria clínica. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2018.

BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE. Guia de cuidados para a pessoa idosa (recurso eletrônico). Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento de Gestão do Cuidado Integral. Brasília, 2023.

Inouye SK, Studenski S, Tinetti ME, Kuchel GA. Geriatric syndromes: clinical, research, and policy implications of a core geriatric concept. J Am Geriatr Soc. 2007 May;55(5):780-91. doi: 10.1111/j.1532-5415.2007.01156.x. PMID: 17493201; PMCID: PMC2409147.

Umegaki H. Frailty, multimorbidity, and polypharmacy: Proposal of the new concept of the geriatric triangle. Geriatr Gerontol Int. 2025 May;25(5):657-662. doi: 10.1111/ggi.70046. Epub 2025 Apr 14. PMID: 40229144; PMCID: PMC12055515.

Medrado, A. L. G., Lima, J. P., Sousa, L. G. P. C., Costa, M. B. P. da, Leal, L. F. L. dos S., & Nascimento, J. M. L. do. (2024). OS 7 IS DA GERIATRIA: REVISÃO DE LITERATURA. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, 10(11), 7192-7206. https://doi.org/10.51891/rease.v10i11.17139

 

Google search engine

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui