

O bônus de 10% na residência médica para participantes do Programa Mais Médicos pode ser retomado.
A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados aprovou, em junho desse ano, uma proposta que prevê o restabelecimento do benefício para médicos que tenham atuado no programa por pelo menos um ano.
A medida ocorre após a mudança nas regras da bonificação, promovida pela Lei nº 15.233/2025 e regulamentada pela Portaria MEC nº 446/2026.
Atualmente, a pontuação adicional de 10% é prevista para profissionais que concluíram a residência em Medicina de Família e Comunidade (MFC), conforme os critérios legais vigentes.
O projeto, porém, ainda precisa avançar na tramitação legislativa antes de produzir efeitos. Entenda o que mudou, quem poderá ser beneficiado e quais são as próximas etapas da proposta.
Como funciona o bônus de 10% na residência médica?
A bonificação de 10% é uma pontuação adicional concedida em processos seletivos públicos para ingresso em programas de residência médica. Quando aplicável, o benefício pode aumentar a nota do candidato e influenciar sua classificação, dependendo do resultado obtido pelos demais concorrentes.
Com a Lei nº 15.233/2025, o benefício passou a contemplar os profissionais que concluíram a residência em Medicina de Família e Comunidade em instituição credenciada pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), conforme a matriz de competências da especialidade.
A legislação estabelece que a pontuação adicional incida sobre todas as fases ou sobre a fase única do processo seletivo, conforme a organização da seleção.
A mudança restringiu o alcance da bonificação em relação ao modelo anterior, que também previa pontuação adicional para participantes de determinadas ações governamentais, incluindo o Programa Mais Médicos.


Quem poderá receber o bônus de 10% do Mais Médicos?
Se aprovada em todas as etapas necessárias, a proposta poderá restabelecer a pontuação extra na residência médica para candidatos que tenham participado do Programa Mais Médicos por, no mínimo, um ano.
O texto aprovado pela Comissão de Educação prevê a concessão de 10% de pontuação extra nas seleções públicas para residência médica, contemplando todas as fases do processo seletivo.
A proposta busca recuperar o incentivo para médicos que atuaram no programa, especialmente em regiões com dificuldade de fixação de profissionais.
É importante destacar que a aprovação na comissão não significa que o benefício já esteja novamente disponível. Enquanto o projeto não concluir a tramitação e não se tornar lei, os candidatos devem observar as regras vigentes e os editais dos processos seletivos.
PL 2.689/2024: o que muda com a proposta aprovada?
O Projeto de Lei (PL) nº 2.689/2024, de autoria do deputado Ismael Alexandrino (PSD-GO), foi apresentado originalmente com o objetivo de alterar as regras do Programa Mais Médicos, incluindo a possibilidade de reconhecer a participação no programa e a formação em Medicina de Família e Comunidade para fins de ingresso.
Durante a tramitação na Comissão de Educação, o relator apresentou um substitutivo que priorizou o restabelecimento do bônus de 10% nas seleções de residência médica para participantes do programa.
A justificativa é que a pontuação adicional pode funcionar como um incentivo à adesão e à permanência de médicos em localidades com maior dificuldade de acesso à assistência médica.
A discussão também envolve o reconhecimento da atuação na Atenção Primária à Saúde (APS) e o papel do Programa Mais Médicos na ampliação da cobertura assistencial em áreas vulneráveis.
Por que o bônus é relevante para a formação médica?
A bonificação em processos seletivos de residência médica é um instrumento de incentivo à formação especializada.
No caso do Mais Médicos, a retomada do benefício pode ter implicações tanto para o planejamento de carreira dos profissionais quanto para as políticas públicas de provimento médico.
O programa busca ampliar o acesso à assistência, sobretudo em municípios e territórios com dificuldade de atrair e manter médicos. A possibilidade de obter pontuação adicional para ingressar na residência pode tornar a participação mais atrativa para profissionais que pretendem seguir uma trajetória de especialização após a experiência no serviço público.
Por outro lado, a efetividade desse tipo de incentivo depende de como ele se articula com outras estratégias de provimento, fixação de profissionais e fortalecimento da formação em Medicina de Família e Comunidade.
Assim, a proposta recoloca em debate a relação entre a experiência profissional na APS, os mecanismos de seleção para residência e as políticas de distribuição da força de trabalho médica no Brasil.


Quais são as próximas etapas do PL 2.689/2024?
Após a aprovação na Comissão de Educação, o projeto deve passar pela análise das comissões de Saúde e de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), conforme a tramitação prevista na Câmara dos Deputados.
Para que a proposta se torne lei, ainda será necessário concluir as etapas legislativas aplicáveis, incluindo a aprovação pela Câmara e pelo Senado Federal.
Até que haja mudança legislativa efetiva, permanece necessário distinguir a proposta em tramitação das regras atualmente aplicáveis à bonificação nos processos seletivos de residência médica.
Leia também:
O que é a Residência Médica e como fazer?
Notas do Enamed revelam fragilidades na formação médica brasileira
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Referências:
Comissão aprova bônus de 10% em residência para participantes do Mais Médicos. Fonte: Agência Câmara de Notícias































