Exercício físico na gestação reduz fadiga e melhora a motivação, aponta estudo

gestante fazendo exercício físico na gestação

A gravidez é uma fase crítica e sensível na vida de uma mulher, acompanhada por profundas mudanças físicas, psicológicas e sociais. Essas mudanças, particularmente no domínio psicológico, podem afetar o funcionamento diário e o bem-estar geral das gestantes.

Nesse contexto, o exercício físico na gestação tem sido cada vez mais investigado como uma estratégia para melhorar o bem-estar materno e reduzir sintomas comuns, como a fadiga na gravidez.

👉 O exercício físico na gestação ajuda na fadiga?

Sim. Estudos mostram que a prática regular de atividade física durante a gravidez pode reduzir a fadiga, melhorar o humor e aumentar a motivação, especialmente quando realizada em intensidade moderada.

Fadiga na gravidez: por que é tão comum durante a gestação?

Entre os muitos sintomas experimentados durante a gestação, a fadiga é uma das queixas mais comuns, com uma prevalência relatada superior a 98%, ocorrendo com maior frequência durante o primeiro e o terceiro trimestre.

A fadiga na gravidez pode afetar mais de 98% das gestantes.

A fadiga na gravidez não pode ser explicada apenas por fatores psicológicos. Ela também resulta de alterações fisiológicas importantes, como flutuações hormonais, aumento das demandas metabólicas e adaptações circulatórias.

A fadiga resulta de uma ruptura no equilíbrio energético do organismo, caracterizada por uma incompatibilidade entre a oferta e a demanda de energia. Trata-se de um mecanismo de defesa que indica níveis reduzidos de energia, levando à diminuição da atividade para restaurar o equilíbrio fisiológico.

Durante a gravidez, a fadiga e a sensação de baixa energia são amplamente relatadas. Alterações hormonais, especialmente o aumento dos níveis de progesterona, são consideradas uma das principais causas desse sintoma.

O padrão de fadiga na gravidez geralmente:

  • inicia nos primeiros dias de gestação
  • persiste durante o primeiro trimestre
  • tende a diminuir no segundo trimestre
  • aumenta novamente no terceiro trimestre

Estudos fisiológicos mostram que, no primeiro trimestre, a fadiga está principalmente associada às demandas energéticas do desenvolvimento placentário, ao aumento do fluxo sanguíneo materno para fornecer oxigênio e nutrientes ao feto e às alterações hormonais.

Já no terceiro trimestre, fatores como ganho de peso fetal, distúrbios do sono, azia, micção frequente e dor lombar contribuem significativamente para o aumento da fadiga.

Gestante cansada. A fadiga na gravidez pode afetar mais de 98% das gestantes

Impactos da fadiga na gravidez na saúde materna

Estudos recentes indicam que a fadiga relacionada à gravidez pode afetar negativamente a qualidade de vida materna.

Pesquisas mostram que esse sintoma está associado a alterações nos padrões de contração uterina durante o trabalho de parto e maior dificuldade em realizar atividades diárias.

Além disso, a fadiga excessiva pode reduzir a tolerância à dor durante o parto, diminuir o desejo de parto vaginal e aumentar a probabilidade de cesariana.

A fadiga na gravidez também pode contribuir para o aparecimento de sintomas depressivos, a redução da atividade física e o ganho de peso gestacional excessivo. Em alguns casos, pode ainda aumentar o risco de trabalho de parto prematuro, parto prolongado, parto vaginal instrumental, cesariana ou depressão pós-parto.

Apesar da elevada prevalência desse sintoma, poucos estudos investigaram estratégias eficazes para aliviar a fadiga durante a gestação.

 

Exercício físico na gestação pode reduzir a fadiga?

Nos últimos anos, o exercício físico na gestação tem recebido crescente atenção como uma estratégia não farmacológica potencialmente eficaz para reduzir a fadiga durante a gravidez. Entretanto, muitas gestantes adotam um estilo de vida sedentário, e estima-se que mais de 80% interrompem a prática de exercícios durante a gestação.

Evidências científicas indicam que a atividade física para gestantes, quando realizada de forma regular, pode trazer benefícios físicos e psicológicos importantes.

 

Benefícios do exercício na gravidez: o que acontece no organismo

Exercícios de intensidade moderada durante a gravidez podem:

  • aumentar a expressão de placentocinas
  • estimular neurotransmissores como irisina e adiponectina
  • melhorar o metabolismo materno
  • otimizar a função mitocondrial
  • favorecer a regulação energética

Além disso, o exercício promove liberação de fatores neurotróficos, redução de marcadores inflamatórios e modulação de neurotransmissores. Esses efeitos contribuem para a melhora da fadiga mental e do humor.

O TNF-α, por exemplo, é considerado um biomarcador independente para fadiga durante a gravidez. A redução de citocinas pró-inflamatórias pode contribuir para aliviar esse sintoma e melhorar a saúde materna e fetal.

A atividade física regular durante a gestação também pode melhorar o fluxo sanguíneo, aumentar a oxigenação tecidual, regular níveis hormonais e reduzir inflamação sistêmica.

Estudos indicam que os benefícios do exercício na gravidez incluem redução significativa da fadiga, diminuição do ganho de peso gestacional e menor risco de diabetes gestacional.

Além disso, a prática de exercícios pode promover melhora do bem-estar, aumento da autoestima, adaptação às mudanças da gravidez, redução da dor pélvica e lombar, e melhora do humor.

gravida fazendo exercício físico na gestação

Como o estudo sobre exercício na gestação foi realizado

Um ensaio clínico randomizado controlado foi conduzido com 34 gestantes, divididas em grupo controle e grupo de intervenção. Dentre os critérios de inclusão, destacam-se idade gestacional entre 20 e 22 semanas, ausência de contraindicação médica para exercício, gestação única saudável e disponibilidade para participar do estudo.

A intervenção consistiu em treinamento físico domiciliar por 8 semanas, aulas educativas e sessões de exercícios supervisionados. O protocolo seguiu os princípios FITT (frequência, intensidade, tempo e tipo).

As gestantes do grupo de intervenção foram orientadas a realizar exercícios físicos durante a gestação 4 vezes por semana, 45 minutos por sessão. Cada sessão incluía 15 minutos de aquecimento, 15 minutos de alongamento e 15 minutos de exercícios de flexibilidade e respiração.

A intensidade foi classificada como baixa a moderada, conforme diretrizes do ACOG.

Os resultados demonstraram que o exercício físico na gestação reduziu significativamente a fadiga geral e a fadiga mental. Não foram observadas alterações significativas na fadiga física.

Além disso, houve melhora significativa na motivação entre as gestantes do grupo de intervenção.

 

Exercício reduz fadiga mental na gravidez?

A fadiga mental está relacionada à exaustão de processos cognitivos como atenção, memória e concentração.

A prática regular de atividade física para gestantes pode melhorar a resiliência cerebral e as funções cognitivas.

Entre os mecanismos envolvidos estão:

  • aumento do BDNF (fator neurotrófico derivado do cérebro)
  • aumento da plasticidade neuronal
  • modulação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal
  • redução de citocinas inflamatórias

Esses mecanismos ajudam a explicar a redução da fadiga mental observada em gestantes que praticam exercício físico durante a gestação.

gestante fazendo alongamento e exercício físico na gestação

Exercício melhora motivação na gravidez?

Outro achado relevante do estudo foi a melhora significativa da motivação. Isso pode estar relacionado ao aumento de neurotransmissores associados ao bem-estar, como dopamina, serotonina e endorfinas.

Essas alterações neuroquímicas estão associadas a melhora do humor, redução de sintomas depressivos e maior engajamento em atividades saudáveis.

Esses achados reforçam que o exercício físico na gestação pode contribuir não apenas para a saúde física, mas também para o bem-estar psicológico das gestantes.

 

Limitações do estudo

O estudo apresenta algumas limitações, como adesão ao exercício avaliada por autorrelato, período de intervenção relativamente curto (8 semanas) e predominância de participantes donas de casa e nulíparas.

Além disso, fatores como qualidade do sono, estresse e apoio social não foram avaliados.

 

Exercício físico no pré-natal: implicações clínicas

Os resultados sugerem que mesmo exercícios domiciliares de baixa a moderada intensidade podem melhorar significativamente a fadiga e a motivação durante a gestação.

Assim, o exercício físico na gestação pode ser integrado aos cuidados pré-natais como estratégia para melhorar o bem-estar materno, promover saúde mental e reduzir fadiga.

Programas educativos e orientações sobre atividade física para gestantes podem ampliar o acesso a exercícios seguros durante a gravidez.

gestante fazendo pilates, um exercício físico na gestação

Vale a pena fazer exercício físico na gestação?

A integração de programas de exercício físico na gestação ao pré-natal de rotina pode contribuir para a melhoria da saúde física e mental das gestantes.

Profissionais de saúde, como obstetras e parteiras, podem desempenhar papel fundamental ao incentivar e orientar a prática segura de atividade física durante a gravidez, promovendo melhores desfechos maternos e neonatais.

 

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Referências:

Habibpour, H., Nikpour, M., Mohsenzadeh-Ledari, F. et al. The effect of regular exercise on general and mental fatigue and motivation during pregnancy: a randomized controlled trial. BMC Pregnancy Childbirth (2026). https://doi.org/10.1186/s12884-026-08984-8

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