Escala de Fisher na hemorragia subaracnoidea: classificação, interpretação e Fisher modificada

médico avaliando resultado de TC de crânio para uso da escala de Fisher na hemorragia subaracnoidea

A Escala de Fisher é uma classificação tomográfica utilizada para estimar o risco de vasoespasmo cerebral após hemorragia subaracnoidea (HSA) aneurismática.

Embora a Escala de Fisher Modificada apresente melhor desempenho preditivo em muitos cenários, a classificação original continua sendo amplamente utilizada na prática clínica, em pesquisas e em provas de residência.

Neste artigo, veja como interpretar cada categoria da escala, quando utilizá-la e quais são suas principais limitações.

O que é a Escala de Fisher?

A Escala de Fisher é uma classificação tomográfica utilizada para estratificar o risco de vasoespasmo cerebral após hemorragia subaracnoidea (HSA) aneurismática. Desenvolvida em 1980 por Charles M. Fisher e colaboradores, ela se baseia na quantidade e na distribuição do sangue visualizado na tomografia computadorizada (TC) de crânio realizada na fase aguda da doença.

O principal objetivo da escala é identificar pacientes com maior risco de desenvolver vasoespasmo cerebral, uma das complicações mais importantes da HSA aneurismática e uma das principais causas de isquemia cerebral tardia e pior desfecho neurológico.

Escala de Fisher na hemorragia subaracnoidea aneurismática
Dr. Charles Miller Fisher. Imagem disponível em https://alchetron.com/C.-Miller-Fisher

Quando utilizar a Escala de Fisher?

A Escala de Fisher deve ser aplicada após a confirmação de hemorragia subaracnoidea aneurismática na tomografia de crânio, preferencialmente no exame inicial. Seu principal papel é estratificar o risco de vasoespasmo cerebral e auxiliar na vigilância desses pacientes.

⚠️ Importante: a escala avalia exclusivamente os achados tomográficos e não deve ser utilizada isoladamente para definir prognóstico ou orientar o tratamento. A avaliação clínica do paciente, associada a outras escalas, como Hunt-Hess e WFNS, continua sendo fundamental.

 

Leia também: Escala Hunt-Hess: como calcular, interpretar e prever gravidade da hemorragia subaracnoide

Como interpretar a Escala de Fisher?

A Escala Fisher baseia-se exclusivamente nos achados da tomografia computadorizada de crânio realizada na fase aguda da HSA aneurismática. A classificação considera a quantidade e a distribuição do sangue subaracnoideo observadas no exame.

tabela de interpretação da escala de fisher na HSA aneurismática

De forma geral, quanto maior a quantidade de sangue na TC, maior o risco de vasoespasmo cerebral.

– Os pacientes classificados como Fisher III apresentam o maior risco dessa complicação.

– Já a categoria Fisher IV inclui pacientes com hemorragia intraventricular ou intraparenquimatosa, mas nem sempre corresponde a um risco superior ao Fisher III, uma das principais limitações da classificação original.

 

O que é a Escala de Fisher Modificada?

A Escala de Fisher Modificada foi proposta para aumentar a capacidade da classificação original de predizer vasoespasmo sintomático e isquemia cerebral tardia.

Assim como a escala original, sua aplicação é baseada na tomografia computadorizada (TC) de crânio realizada na fase aguda. No entanto, além da espessura do sangue subaracnoideo, a versão modificada também considera a presença de hemorragia intraventricular, um fator associado a um maior risco de complicações neurológicas.

A classificação varia de 0 a 4, de acordo com a quantidade de sangue subaracnoideo e a presença ou ausência de hemorragia intraventricular.

Diversos estudos demonstraram que a escala modificada apresenta melhor capacidade preditiva para vasoespasmo sintomático e isquemia cerebral tardia quando comparada à classificação original, motivo pelo qual é amplamente utilizada na prática clínica e em pesquisas envolvendo HSA aneurismática.

 

Quais são as limitações da Escala de Fisher?

Apesar de ser amplamente utilizada, a Fisher apresenta algumas limitações importantes:

  • foi desenvolvida exclusivamente para hemorragia subaracnoidea aneurismática espontânea, não devendo ser aplicada a outras causas de sangramento intracraniano;
  • considera apenas os achados tomográficos, sem incorporar fatores clínicos relacionados ao prognóstico;
  • apresenta menor capacidade preditiva em pacientes com hemorragia intraventricular, limitação corrigida parcialmente pela Fisher modificada;
  • não deve ser utilizada isoladamente para definir prognóstico ou orientar decisões terapêuticas.

 

Escala de Fisher ou Fisher Modificada?

A escala modificada mantém os princípios da classificação original, mas incorpora a presença de hemorragia intraventricular para aprimorar a estratificação do risco de vasoespasmo cerebral.

A tabela abaixo resume as principais diferenças entre as duas classificações.

comparação entre as escalas Fisher ou Fisher Modificada

 

O que fazer após classificar o paciente?

A classificação auxilia na estratificação do risco de vasoespasmo, mas não substitui a avaliação clínica nem modifica, isoladamente, a conduta inicial da hemorragia subaracnoidea aneurismática.

Após a classificação, recomenda-se:

  • internação em unidade de terapia intensiva ou unidade especializada em neurocríticos;
  • início de nimodipina em todos os pacientes, salvo contraindicações;
  • investigação da origem do sangramento por angiotomografia, angiografia cerebral ou outro método vascular adequado;
  • tratamento precoce do aneurisma por clipagem cirúrgica ou embolização endovascular, quando indicado;
  • monitorização clínica e neurológica seriada para detecção precoce de vasoespasmo e isquemia cerebral tardia;
  • realização de Doppler transcraniano, quando disponível, como ferramenta complementar para vigilância do vasoespasmo;
  • acompanhamento conjunto pelas equipes de neurologia, neurocirurgia e/ou neurorradiologia intervencionista.

Vale ressaltar que pacientes classificados com maior risco de vasoespasmo exigem vigilância mais intensiva durante os primeiros 14 dias após a HSA, período em que essa complicação ocorre com maior frequência.

 

Perguntas frequentes sobre a Escala de Fisher

A Escala de Fisher serve para qualquer HSA?

Não. A escala foi desenvolvida para pacientes com HSA aneurismática espontânea e não deve ser aplicada a outras causas de sangramento intracraniano, como trauma cranioencefálico ou malformações vasculares.

A Escala de Fisher prevê prognóstico?

Não diretamente. Seu principal objetivo é estratificar o risco de vasoespasmo cerebral após HSA aneurismática. A estimativa de prognóstico deve considerar também a avaliação clínica do paciente e outras escalas, como Hunt-Hess e WFNS.

Qual a diferença entre a Escala de Fisher e a Escala de Fisher Modificada?

A principal diferença é que a escala modificada também considera a presença de hemorragia intraventricular, além da quantidade de sangue subaracnoideo. Por isso, ela apresenta melhor capacidade para predizer vasoespasmo sintomático e isquemia cerebral tardia em comparação com a classificação original.

Qual exame é utilizado para aplicar a Escala de Fisher?

A classificação é realizada com base na tomografia computadorizada (TC) de crânio sem contraste, preferencialmente obtida na fase aguda da HSA.

 

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Conteúdo atualizado em julho de 2026

Referências:

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