Vacina contra HPV: indicações e esquema de doses na prática clínica

Criança recebendo vacina contra HPV durante atendimento de imunização

No Brasil, a vacina contra HPV é recomendada rotineiramente para meninas e meninos a partir dos 9 anos e pode ser indicada em adultos até 45 anos, dependendo da situação clínica e da vacina utilizada.

HPV: por que a vacinação é importante

A vacinação contra HPV é uma medida preventiva altamente eficaz contra cânceres e outras doenças associadas ao papilomavírus humano. Mesmo assim, a cobertura vacinal ainda é insuficiente em diversas faixas etárias. Conhecer as indicações corretas das vacinas disponíveis é essencial para aproveitar oportunidades de imunização na prática clínica.

A infecção pelo HPV é a IST (infecção sexualmente transmissível) mais comum no mundo. Aproximadamente 80% das pessoas sexualmente ativas terão contato com o vírus ao longo da vida.

A infecção persistente por tipos oncogênicos está diretamente relacionada ao câncer do colo do útero e às neoplasias de ânus, pênis, vulva, vagina e orofaringe.

Apesar da disponibilidade de vacina há mais de uma década, ainda existe um contingente expressivo de pessoas não vacinadas, especialmente adolescentes que não completaram o esquema e adultos que não tiveram acesso à imunização quando jovens.

Além disso, a infecção natural não confere proteção duradoura. Indivíduos previamente infectados podem adquirir novamente o mesmo tipo viral. Mulheres tratadas por lesões associadas ao HPV também permanecem sob risco de recorrência ou novas infecções.

 

Quais vacinas contra o HPV existem no Brasil

Atualmente, duas vacinas contra o HPV são relevantes na prática clínica: a quadrivalente e a nonavalente.

Esquema de vacinação contra HPV – vacina quadrivalente (HPV4)

Disponível no SUS, Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Protege contra os subtipos 6, 11, 16, e 18, os principais subtipos associados às verrugas genitais – condilomas (6,11) e aos cânceres genitais (16,18).

 Indicações:

  • Meninas e meninos de 9 a 14 anos em esquema de dose única.
  • Pessoas de 9 a 45 anos imunossuprimidas; vivendo com HIV/Aids; transplantados de órgãos sólidos ou medula óssea; pacientes oncológicos; com imunodeficiência primária ou erro inato da imunidade em esquema de três doses (0, 2 e 6 meses)
  • Usuários de Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) para o HIV não vacinados de 15 a 45 anos: três doses (0, 2, 6 meses)
  • Vítimas de violência sexual entre 9 e 45 anos: de acordo com a recomendação prevista em bula para a faixa etária:
    • Nove a 14 anos: duas doses;
    • A partir de 15 anos: três doses (0, 2, 6 meses)
    • Pessoas com esquema incompleto deverão completá-lo;
    • Pacientes com papilomatose respiratória recorrente (PRR) a partir de 2 anos com esquema de 3 doses (0, 2, 6 meses).

OBS: O PNI estabeleceu, temporariamente, estratégia de resgate de adolescentes até 19 anos não vacinados, com uma dose.

❌  Contraindicações:

Gestantes e pessoas que apresentaram anafilaxia após receber uma dose da vacina ou algum de seus componentes.

menina tomando vacina contra hpv

Esquema de vacinação contra HPV – vacina nonavalente (HPV9)

Disponível apenas na rede privada.

Protege contra nove tipos virais: 6, 11, 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58, ampliando a cobertura contra tipos oncogênicos adicionais responsáveis por parcela significativa dos cânceres relacionados ao HPV.

 Indicações:

  • Homens e mulheres de 9 aos 45 anos:
    • Meninas e meninos de 9 a 19 anos: duas doses (0-6 meses)
    • A partir de 20 anos: três doses (0-2-6 meses)
    • Imunodeprimidos de 9 a 45 anos, independentemente da idade: três doses (0-2-6 meses)
  • Papilomatose recorrente, em qualquer idade: três doses (0-2-6 meses);
  • Vítimas de violência sexual: esquema recomendado para a idade.

A administração da vacina em homens e mulheres fora da faixa etária prevista em bula deve ser individualizada.

❌  Contraindicações:

Gestantes e pessoas que apresentaram hipersensibilidade grave (anafilaxia) após receber uma dose da HPV9 ou HPV4 ou a algum de seus componentes.

 

Quem já teve HPV pode tomar a vacina?

A vacinação contra HPV é uma medida profilática e não tem efeito terapêutico sobre infecção ativa ou lesões estabelecidas. Entretanto, a vacina permanece indicada mesmo após exposição prévia ao vírus.

Benefícios potenciais incluem:

  • Proteção contra tipos ainda não adquiridos
  • Redução do risco de reinfecção
  • Diminuição da recorrência após tratamento de lesões de alto grau.

Evidências sugerem redução significativa de recorrências de neoplasia intraepitelial cervical quando a vacina é administrada após tratamento.

 

Segurança e imunogenicidade da vacina contra HPV

As vacinas contra o HPV apresentam excelente perfil de segurança, amplamente documentado. Eventos adversos são, em geral, leves e autolimitados, predominando reações locais.

Em adultos, a resposta imunológica é robusta, embora discretamente inferior à observada em adolescentes. Ainda assim, os níveis de anticorpos permanecem considerados protetores por anos após a vacinação.

 

Vacinação e rastreamento são complementares

A vacinação contra HPV não substitui o rastreamento do câncer do colo do útero. Mulheres vacinadas devem manter acompanhamento conforme recomendações vigentes para idade e risco.

A combinação entre vacinação ampla e rastreamento adequado é a estratégia mais eficaz para a redução da incidência e da mortalidade do câncer cervical.

 

Oportunidade prática no consultório

Grande parte dos adultos nunca recebeu orientação adequada sobre vacinação contra o HPV. Assim, consultas médicas representam um momento estratégico para avaliação do status vacinal e indicação da imunização quando apropriado.

Na prática clínica, recomenda-se:

  • Verificar rotineiramente histórico vacinal
  • Oferecer vacinação a indivíduos não imunizados dentro das indicações
  • Considerar vacinação após tratamento de lesões associadas ao HPV
  • Orientar que o benefício existe mesmo após o início da vida sexual

A vacinação ao longo da vida, associada ao rastreamento adequado, tem potencial para reduzir significativamente a carga de doenças relacionadas ao HPV.

Mulher em consulta ginecológica recebendo orientação sobre vacina contra HPV

Referências:

Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). Vacinas disponíveis. Disponível em: https://familia.sbim.org.br/vacinas/vacinas-disponiveis

Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Vacinação contra o HPV na mulher adulta — Position Statement, 2025

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