

No dia 30 de outubro é comemorado o Dia Nacional do Ginecologista e Obstetra, profissionais fundamentais no rastreamento e tratamento do câncer de mama, doença em foco no mês de Outubro. Os sintomas relacionados à mama estão entre os motivos mais comuns que as mulheres procuram por ginecologistas.
O objetivo de uma compreensão completa de distúrbios ginecológicos envolve a diferenciação de doenças benignas de malignas; aliviar, quando possível, os sintomas atribuível às doenças benignas; e identificar pacientes com risco aumentado de câncer ginecológicos, de modo que a vigilância aumentada ou a terapia preventiva possam ser iniciadas.
Visto isso, trouxemos um pouco da importância da implementação de estratégias preventivas destinadas a mudar certos hábitos diários para a melhora na ocorrência de uma ampla gama de doenças ginecológicas, incluindo o câncer de mama.
Por compreender o papel dos hábitos individuais na ginecologia, também elencamos alguns tópicos essenciais que podem auxiliar em um roteiro de uma consulta ginecológica.
Doenças ginecológicas e hábitos diários
Dismenorréia primária e sintomas pré-menstruais no geral são distúrbios comuns e com alta incidência na população. Estudos recentes apontam cada vez mais para a importância dos acompanhamentos complementares para a melhora do quadro clínico.
A dieta, a prática de exercícios e a saúde emocional e psicológica parecem ser indicadas como importantes aspectos a serem considerados tanto no desenvolvimento quanto no manejo para melhora de sintomas.
O mesmo acontece em casos de doenças ginecológicas como a síndrome dos ovários policísticos (SOP) e endometriose, já que o componente alimentar parece apresentar grande importância no manejo de ambas. É importante que o ginecologista observe atentamente as respostas da paciente e saiba quando orientá-la sobre situações em que acompanhamentos complementares são essenciais.
Confira nosso post sobre hábitos que podem ser mudados para prevenir o câncer de mama.
Um roteiro prático
A cada consulta o ginecologista deve se lembrar que toda doença se desenvolve em um contexto único e que todo tipo de intervenção terapêutica ou orientação médica deve ter como base as individualidades de cada ser humano.
Destacamos aqui diversas perguntas-chave a serem consideradas:
Alimentação e prática de exercícios físicos
- Como é sua dieta no geral?
- Você já percebeu a relação clara entre a aparição de suas queixas ginecológicas e sua alimentação?
- A prática de exercícios físicos é algo presente em sua vida?
- Com que frequência e intensidade você pratica exercícios?
Saúde emocional/ psicológica
- Como está a sua saúde emocional?
- No seu dia-a-dia, você considera estar muito exposta ao estresse?
- Existe alguma tendência à ansiedade ou depressão?
Uso de substâncias
- Você é fumante?
- Você faz consumo de álcool? Com que frequência e intensidade?
- Você faz uso de outras substâncias (lícitas ou ilícitas?)
- Você faz algum tipo de tratamento de uso contínuo?
Vida sexual
- Como está a sua saúde sexual?
- Como está a sua libido e lubrificação natural?
- Você sente algum tipo de dor e desconforto durante a relação sexual?
- Conhece os principais cuidados a serem tomados com sua higiene após a relação sexual?
- Já foi orientada com relação às ISTs existentes e como preveni-las?
Método contraceptivo utilizado
- Você conhece os prós e contras do método que utiliza hoje?
- Se sente confortável com o método escolhido? Compreende que existem diversas opções, caso você não esteja satisfeita com o método adotado atualmente?
- Você compreende como funciona a sua fertilidade no geral? Possui dúvidas nesse sentido?
Confira as diferenças entre os tipos de DIU de cobre.
Exames de rotina e visitas ao ginecologista
- Você sabe qual é a rotina ginecológica ideal para a sua idade, e para que serve cada um dos exames indicados?
- Você sabe identificar em que casos é essencial que aconteça a visita ao ginecologista?
Menstruação e ciclo menstrual
- Qual foi a data da sua última menstruação e qual foi a duração total do seu ciclo?
- Você conhece a regularidade do seu ciclo e as fases do ciclo menstrual?
- Você compreende como essas fases interferem no seu comportamento e dia-a-dia?
- Você conhece seu muco cervical? Está consciente de que ele sofre alterações saudáveis durante o ciclo menstrual?
- Sabe diferenciar o muco saudável do muco indicativo de infecções e desequilíbrios?
Aqui vale destacar nosso post sobre alterações menstruais após a vacina contra COVID-19. Se você ainda não conferiu, dê uma olhada!
Histórico familiar
- Há histórico de câncer, problemas cardíacos ou outros tipos de doenças em sua família?
Conclusão
Um roteiro de consulta ginecológica envolve diversos aspectos, e é de extrema importância que sejam abordadas tanto perguntas sobre a especialidade em si (vida sexual, uso de contraceptivo e saúde ginecológica no geral), mas também sobre o estilo de vida da paciente como um todo.
É comum que a maioria das mulheres não compreenda a relação entre seus hábitos e o desenvolvimento e tratamento de sintomas ginecológicos, desde os mais comuns como cólicas menstruais fortes ou candidíase de repetição, até os mais complexos como síndrome dos ovários policísticos (SOP) e endometriose.
É papel do ginecologista que, frente a qualquer queixa relatada pela paciente ou qualquer diagnóstico, investigue o estilo de vida dessa paciente e a oriente sobre como seus hábitos podem lhe oferecer mais qualidade de vida, e principalmente levá-los em conta na escolha do manejo terapêutico de possíveis questões ginecológicas.
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Referências: