FDA aprova enlicitida, primeiro inibidor oral da PCSK9 para redução do colesterol LDL

arteriosclerose, uma consequência da hipercolesterolemia, que pode ser prevenida com o tratamento com enlicitida

O tratamento da hipercolesterolemia ganhou uma nova opção terapêutica. A Food and Drug Administration (FDA) aprovou a enlicitida (Lipfendra®), primeiro inibidor oral da PCSK9, para uso em adultos com hipercolesterolemia primária, incluindo pacientes com hipercolesterolemia familiar heterozigótica (HeFH), como adjuvante à dieta, à prática de atividade física e ao tratamento hipolipemiante já estabelecido.

Até então, os inibidores da PCSK9 disponíveis eram administrados por via subcutânea. A aprovação da enlicitida representa a primeira alternativa oral dessa classe terapêutica.

 

Enlicitida: como age o primeiro inibidor oral da PCSK9?

A enlicitida é um inibidor da proproteína convertase subtilisina/kexina tipo 9 (PCSK9) administrado por via oral, em dose única diária.

A PCSK9 participa da degradação dos receptores hepáticos de LDL. Ao bloquear essa proteína, ocorre aumento da reciclagem dos receptores de LDL no fígado, favorecendo maior remoção do colesterol LDL da circulação e reduzindo suas concentrações plasmáticas.

A aprovação pela FDA contempla adultos com hipercolesterolemia primária, incluindo hipercolesterolemia familiar heterozigótica (HeFH), sempre em associação às medidas não farmacológicas e à terapia hipolipemiante em uso.

Como funcionam os bloqueadores de PCSK9 como enlicitida na redução do colesterol LDL
Como funcionam os bloqueadores de PCSK9 na redução do colesterol? Baseado em Davidson, M. (2013) e Sobati, S. et al. (2020).

Qual a importância dessa aprovação?

Apesar da ampla disponibilidade de estatinas, ezetimiba e dos anticorpos monoclonais anti-PCSK9, muitos pacientes permanecem acima das metas de LDL recomendadas pelas diretrizes.

Os inibidores da PCSK9 injetáveis apresentam elevada eficácia, porém fatores como necessidade de aplicações periódicas, logística de armazenamento, custo e preferência do paciente podem limitar sua utilização.

Nesse contexto, uma alternativa oral pode ampliar o acesso ao tratamento e favorecer a adesão em pacientes selecionados, embora estudos de efetividade a longo prazo ainda sejam necessários.

 

Estudos que embasaram a aprovação da FDA

A aprovação foi baseada em dois estudos de fase 3, randomizados, duplo-cegos e controlados por placebo, que incluíram mais de três mil adultos com hipercolesterolemia em uso da dose máxima tolerada de estatinas.

O desfecho primário foi a redução percentual do LDL-C após 24 semanas de tratamento.

Pacientes com doença cardiovascular aterosclerótica ou alto risco cardiovascular:

No primeiro estudo, os participantes apresentavam doença cardiovascular aterosclerótica estabelecida ou alto risco cardiovascular. O colesterol LDL basal médio foi de 96 mg/dL. Após 24 semanas, a enlicitida promoveu uma redução média de 56% no LDL-C em comparação ao placebo.

Pacientes com hipercolesterolemia familiar heterozigótica:

O segundo estudo incluiu exclusivamente pacientes com HeFH, com LDL basal médio de 119 mg/dL. Nesse grupo, a redução média do LDL-C foi de 59% em relação ao placebo na 24ª semana.

Os resultados reforçam a elevada potência hipolipemiante da enlicitida quando utilizada como terapia complementar às estatinas.

 

Perfil de segurança

Nos estudos clínicos, o perfil de segurança foi considerado semelhante ao observado com placebo. Entre os pacientes com hipercolesterolemia familiar heterozigótica, os eventos adversos mais frequentemente relatados foram diarreia e tontura.

A taxa de descontinuação do tratamento por eventos adversos foi semelhante entre os grupos tratados com enlicitida e placebo.

Não foram identificados novos sinais relevantes de segurança nos estudos de fase 3.

 

O que muda na prática clínica?

A aprovação da enlicitida introduz uma nova estratégia para redução intensiva do LDL-C, especialmente em pacientes que permanecem acima das metas apesar do tratamento convencional.

Embora a aprovação tenha sido baseada na redução do LDL-C, e não em desfechos cardiovasculares, a enlicitida amplia o arsenal terapêutico disponível para pacientes que não atingem as metas lipídicas com estatinas e outras terapias hipolipemiantes. Estudos adicionais deverão esclarecer seu impacto sobre eventos cardiovasculares maiores em longo prazo.

⚠️ A enlicitida não substitui as estatinas e foi estudada em associação à terapia hipolipemiante de base, incluindo a dose máxima tolerada de estatinas.

tubo de exame para avaliação de colesterol total, colesterol HDL e colesterol LDL

 

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Referências

U.S. FOOD & DRUG ADMINISTRATION. FDA Approves First Oral Therapy that Inhibits Proprotein Convertase Subtilisin/Kexin Type 9 (PCSK9) to Lower Bad Cholesterol in Adults with High Cholesterol. 07/16/2026.

Navar AM, Mikhailova E, Catapano AL, et al. A Placebo-Controlled Trial of the Oral PCSK9 Inhibitor Enlicitide. N Engl J Med. 2026;394(6):529-539. doi:10.1056/NEJMoa2511002

 

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