

Vacina da dengue do Butantan tem aplicação temporariamente interrompida após notificação de eventos adversos graves
O Ministério da Saúde determinou a interrupção temporária da vacinação com a Butantan-DV, imunizante contra dengue desenvolvido pelo Instituto Butantan.
A decisão, anunciada nesta segunda-feira (8), foi tomada em conjunto com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) após a identificação de eventos adversos graves em pessoas que receberam a vacina durante a estratégia de implementação no Sistema Único de Saúde (SUS).
A suspensão tem caráter preventivo e busca permitir uma análise mais aprofundada dos casos registrados. Segundo as autoridades sanitárias, ainda não há evidências que confirmem uma relação causal entre os eventos observados e a vacinação.
A suspensão temporária da estratégia de vacinação ocorre em um momento de ampla expansão das ações de prevenção da dengue no país. Segundo o Ministério da Saúde, a medida é preventiva e faz parte dos protocolos de monitoramento contínuo adotados para avaliar a segurança de novos imunizantes após sua utilização em larga escala.
Eventos adversos após vacina da dengue do Butantan estão sob investigação
Dados do sistema de farmacovigilância identificaram 42 ocorrências com sinais clínicos considerados de alerta para dengue grave. Entre as manifestações relatadas estão dor abdominal intensa, vômitos persistentes e episódios hemorrágicos.
Dentre os casos notificados, três evoluíram com maior gravidade, incluindo dois óbitos. As investigações seguem em andamento para esclarecer se existe alguma associação entre esses desfechos e a aplicação do imunizante.
Apesar da repercussão dos casos, o Ministério da Saúde destaca que as notificações representam uma parcela muito pequena do total de aplicações realizadas até o momento.
Até o fim de maio, cerca de 500 mil doses da Butantan-DV haviam sido aplicadas. Os 42 eventos investigados representam aproximadamente 0,008% do total de imunizações realizadas.


Por que a vacinação com a Butantan-DV foi suspensa?
A interrupção faz parte do processo rotineiro de monitoramento de segurança adotado para novas vacinas após sua introdução na rede pública. Esse acompanhamento permite identificar eventos raros que podem não ser detectados durante os estudos clínicos realizados antes da aprovação regulatória.
A avaliação dos casos contou com a participação de especialistas em imunização, farmacovigilância e segurança vacinal, além de representantes do Ministério da Saúde e da Anvisa.
A medida não significa que a eficácia ou a segurança da vacina da dengue do Butantan tenham sido descartadas. O objetivo é reunir informações adicionais antes de decidir sobre a continuidade da estratégia de vacinação.
Orientações para pacientes e equipes de saúde
Pessoas que já receberam a Butantan-DV não precisam adotar medidas especiais além das orientações habituais de vigilância clínica. No entanto, sintomas como febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura, sonolência excessiva ou sinais de desidratação devem motivar avaliação médica imediata.
Para os serviços de saúde, a recomendação é ampliar a atenção aos casos suspeitos de dengue em indivíduos vacinados, reforçando a identificação precoce de sinais de gravidade e a notificação dos eventos adversos às autoridades sanitárias.
Enquanto a investigação prossegue, os órgãos responsáveis avaliam os dados disponíveis para determinar se os eventos observados representam um sinal de segurança relacionado ao imunizante ou se ocorreram de forma coincidente à vacinação.
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Referências:
BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE. Ministério da Saúde descontinua temporariamente estratégia atual de vacinação do Butantan contra dengue. Publicado em 08/06/2026. Acessado em 09/06/2026.
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