Tratamento da Malária em 2026: novos esquemas, tafenoquina e testagem de G6PD

Médico revisando algoritmo de tratamento da malária com recomendações atualizadas sobre tafenoquina e testagem de G6PD.

O Ministério da Saúde atualizou as recomendações para o tratamento da malária no Brasil em 2026. A nova edição do guia traz mudanças relevantes envolvendo a testagem de G6PD, o uso da tafenoquina e a escolha dos esquemas terapêuticos conforme a espécie de Plasmodium e as características do paciente.

A seguir, destacamos as principais atualizações que o médico deve conhecer para o manejo da doença na prática clínica.

Princípios do tratamento da malária e orientações para prescrição

O diagnóstico e o tratamento precoces são fundamentais para interromper a transmissão da malária, reduzir sua letalidade e prevenir formas graves da doença.

Os principais objetivos da terapêutica antimalárica são:

  • Reduzir a mortalidade e a gravidade dos casos,
  • Diminuir a incidência da doença,
  • Evitar a reintrodução da transmissão em áreas onde ela foi interrompida e
  • Contribuir para a eliminação da malária no Brasil.

A maioria dos esquemas terapêuticos utiliza a combinação de mais de um medicamento, uma vez que cada fármaco atua em diferentes fases do ciclo do parasito. Essa estratégia tem como objetivos:

  • Interromper a esquizogonia sanguínea, responsável pelas manifestações clínicas e pela patogenia da doença.
  • Eliminar formas latentes do parasito no fígado (hipnozoítos) das espécies Plasmodium vivax e Plasmodium ovale, prevenindo recaídas tardias.
  • Reduzir a transmissão por meio da eliminação dos gametócitos, formas sexuadas responsáveis pela infecção do mosquito vetor.

Os medicamentos antimaláricos são disponibilizados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e sua prescrição deve ser realizada apenas após confirmação laboratorial da infecção.

Leia também: Tafenoquina em dose única é incorporada ao SUS para tratar malária.

 

Como escolher o tratamento da malária, segundo as orientações de 2026

Para a escolha adequada do tratamento, devem ser considerados:

  • Espécie de Plasmodium
  • Gravidade do quadro clínico.
  • Idade do paciente.
  • Presença de comorbidades.
  • Gestação.
  • Histórico de infecções prévias por malária.

Antes da prescrição de primaquina ou tafenoquina, recomenda-se a realização de teste de G6PD (deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase), devido ao risco de hemólise nesses pacientes.

Outras orientações importantes incluem:

  • Durante o tratamento, orienta-se que os medicamentos sejam ingeridos junto às refeições.
  • Nos esquemas contendo arteméter-lumefantrina, a administração deve ocorrer preferencialmente com alimentos gordurosos para melhorar a absorção do medicamento.
  • Caso ocorra vômito até 60 minutos após a administração da dose, esta deve ser repetida. Após esse período, a repetição não é necessária.
  • A primaquina é contraindicada para gestantes e lactentes menores de seis meses.
  • Na ocorrência de icterícia durante o tratamento, o medicamento deve ser suspenso e o paciente encaminhado para reavaliação em centro de referência.

 

Tratamento da malária por Plasmodium vivax: esquema terapêutico atualizado

O objetivo do tratamento é a cura radical da malária, eliminando as formas sanguíneas e hepáticas (hipnozoítos), prevenindo recrudescência e recaídas.

⚠️ Atualização importante de 2026:

Pacientes com idade ≥ 2 anos e peso ≥ 10 kg devem realizar teste de atividade da G6PD antes da definição do esquema terapêutico.

 

Algoritmo de tratamento da malária não complicada causada por Plasmodium vivax.

Algoritmo de tratamento da Malária não complicada causada por Plasmodium vivax

Tabela 1 – Pacientes com atividade alta de G6PD – CLOROQUINA + TAFENOQUINA.

Pacientes com atividade alta de G6PD - CLOROQUINA + TAFENOQUINA no tratamento da Malária

Tabela 2 – Pacientes com atividade intermediária de G6PD – CLOROQUINA + PRIMAQUINA, opção 1.

Pacientes com atividade intermediária de G6PD - CLOROQUINA + PRIMAQUINA no tratamento da malária

Tabela 3 – Pacientes com atividade intermediária de G6PD CLOROQUINA + PRIMAQUINA, opção 2.

Pacientes com atividade intermediária de G6PD CLOROQUINA + PRIMAQUINA no tratamento da malária

Tabela 4 – Pacientes com atividade baixa de G6PD CLOROQUINA + PRIMAQUINA, opção 1.

Pacientes com atividade baixa de G6PD CLOROQUINA + PRIMAQUINA no tratamento da malária

Tabela 5 – Pacientes com atividade baixa de G6PD CLOROQUINA + PRIMAQUINA, opção 2.

Pacientes com atividade baixa de G6PD CLOROQUINA + PRIMAQUINA no tratamento da malária

Tratamento da malária em gestantes

Gestantes não podem utilizar Primaquina nem Tafenoquina. Dessa forma, recomenda-se o uso de Cloroquina.

Tratamento da Malária em gestantes

Tratamento da malária em caso de recorrência entre 5 e 60 dias

Tratamento da Malária em caso de recorrência entre 5 e 60 dias

Tratamento da Malária em caso de recorrência entre 5 e 60 dias

 

Esquema terapêutico para malária por P. ovale

Assim como ocorre na infecção por Plasmodium vivax, o P. ovale apresenta formas hepáticas latentes (hipnozoítos), capazes de causar recaídas após a infecção inicial. Por esse motivo, o tratamento deve visar à cura radical, combinando um esquizonticida sanguíneo e um hipnozoiticida.

O esquema recomendado consiste na associação de cloroquina e primaquina, nas doses descritas nas Tabelas 2 e 3. Atualmente, a tafenoquina não está indicada para infecções por P. ovale.

 

Outros esquemas terapêuticos na malária

Em caso de malária por P. falciparum, a recomendação atual do Ministério da Saúde envolve terapia combinada baseada em artemisinina, com particularidades relacionadas ao bloqueio da transmissão e ao manejo de situações especiais.

Já o tratamento da malária mista deve contemplar simultaneamente o controle das formas sanguíneas e a prevenção de recaídas, exigindo atenção à espécie envolvida e às características do paciente.

 

Qual o esquema recomendado para P. falciparum? Quando utilizar primaquina? Como manejar malária mista, gestantes, crianças e casos graves?

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Acesse o conteúdo completo e consulte as recomendações atualizadas do Ministério da Saúde em poucos segundos.

 

Referências:

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis – Guia de tratamento da malária no Brasil – Brasília: Ministério da Saúde, 2026.

 

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