Avaliação e manejo do Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo (TDSH) em mulheres

Mulher em consulta com ginecologista para avaliação do Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo (TDSH).

Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo (TDSH): sintomas, diagnóstico clínico e causas associadas

O Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo (TDSH) é definido como a ausência ou redução acentuada do desejo ou motivação para a prática sexual manifestada por qualquer um dos seguintes critérios:

  • Desejo espontâneo reduzido ou ausente (pensamentos ou fantasias sexuais)
  • Desejo responsivo reduzido ou ausente a pistas eróticas e estimulação
  • Incapacidade de manter o desejo ou interesse durante a atividade sexual por um período de pelo menos seis meses, que causa sofrimento.

 

Diagnóstico de TDSH

O diagnóstico é essencialmente clínico. A anamnese deve abordar aspectos médicos, psicológicos e relacionais, como:

  • Doenças crônicas e uso de medicamentos (especialmente antidepressivos)
  • Depressão, ansiedade e estresse
  • Qualidade do relacionamento
  • Fatores hormonais (menopausa, puerpério)
  • Outras disfunções sexuais (dispareunia, anorgasmia)

O exame físico é fundamental para identificar ou descartar fatores orgânicos que possam contribuir para o desejo hipoativo feminino.

O diagnóstico de transtorno do desejo sexual hipoativo deve ser feito após avaliação multifatorial, garantindo que os sintomas não sejam explicados exclusivamente por causas biológicas.

 

Etiologia e fatores de risco

O TDSH tem origem multifatorial, envolvendo:

  • Biológicos: alterações hormonais, doenças, medicamentos (especialmente os ISRS)
  • Psicológicos: depressão, ansiedade, trauma, estresse
  • Relacionais: conflitos de casal, discrepância de desejo
  • Socioculturais: crenças, estigma e educação sexual ineficiente

Mulher em consulta médica discutindo sintomas do Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo com ginecologista.

Tratamento do transtorno da hipoatividade sexual em mulheres

O manejo do TDSH deve ser sempre individualizado e baseado no modelo biopsicossocial. As opções incluem:

  • Educação e aconselhamento
  • Psicoterapia (terapia sexual, terapia cognitivo-comportamental, mindfulness)
  • Tratamento de comorbidades
  • Terapias psicológicas
  • Medicações
  • Terapias hormonais

 

Tratamentos farmacológicos não hormonais

Flibanserina

  • Atua em receptores serotoninérgicos
  • Aumenta dopamina e noradrenalina
  • Eficaz em mulheres pré-menopausa
  • Melhora desejo e reduz sofrimento

Bremelanotida

  • Agonista de receptor melanocortina
  • Uso sob demanda antes da relação
  • Melhora desejo, mas não aumenta eventos sexuais satisfatórios

Antidepressivos

  • Bupropiona: pode melhorar desejo (off-label)
  • Buspirona: algum benefício
  • Trazodona e sildenafil: úteis especialmente em disfunção induzida por ISRS

 

Terapia hormonal

Testosterona

  • Evidência moderada a forte em mulheres pós-menopausa (única indicação formal de uso de testosterona em mulheres). Não há evidência suficiente para uso em mulheres pré-menopausa.
  • Aumenta desejo, excitação e satisfação
  • Deve ser usada em doses fisiológicas
  • Preferencialmente via transdérmica
  • Início do efeito: 6–8 semanas
  • Não aumenta risco cardiovascular a curto prazo
  • Sem evidência clara de aumento de câncer de mama (dados limitados)

Estrogênios

  • Não recomendados isoladamente para tratar desejo sexual
  • Benefício indireto (melhora da lubrificação e dor)
  • Via transdérmica pode ser preferível (menos impacto na testosterona livre)

Outros hormônios

  • DHEA: sem benefício significativo
  • SERMs: efeito pequeno e indireto
  • Tibolona: evidência inconsistente e possíveis riscos

Evidência limitada

  • L-arginina: algum benefício (vasodilatação)
  • Aromaterapia (lavanda): resultados preliminares
  • Acupuntura e yoga: dados insuficientes
  • Fitoterápicos: evidência fraca

Embora não substituam tratamento, sono adequado, atividade física regular e redução de álcool, tabagismo e outras drogas podem contribuir para melhora da função sexual como um todo.

 

TDSH: a importância do diagnóstico

A principal mensagem é que o transtorno do desejo sexual hipoativo tem etiologia multifatorial e deve ser devidamente valorizado, especialmente em um contexto cultural que historicamente negligencia a satisfação sexual feminina.

Além disso, é importante destacar que a testosterona possui indicação formal apenas nesse caso, não havendo evidências suficientes para seu uso em mulheres em pré-menopausa.

Mulher em pós-menopausa segurando acessórios íntimos, representando sexualidade feminina e tratamento do desejo sexual hipoativo.

Referências:

Tami Serene Rowen, Carmita Abdo, Faysal el Kak, Elisa Maseroli, Rachel Pope, Padmini Prasad, Julia Velten, Linda Vignozzi, Evaluation and management of hypoactive sexual desire disorder in women. Recommendations from the 5th International Consultation on Sexual Medicine (ICSM 2024), Sexual Medicine Reviews, Volume 14, Issue 1, January 2026, qeaf057, https://doi.org/10.1093/sxmrev/qeaf057

FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA (FEBRASGO). Manejo do transtorno do desejo sexual hipoativo em mulheres no ambiente ginecológico. Position Statement nº 5, maio 2021.

 

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