

A Hepatite A é a forma de hepatite viral aguda mais comum no mundo, e a transmissão se dá via ingestão de água e alimentos contaminados. Em enchentes, o risco aumenta, visto o acúmulo de esgoto e dejetos humanos, favorecendo a transmissão fecal-oral.
Veja quais são os sinais e sintomas, e como diagnosticar um paciente com Hepatite A.
Como ocorre a Hepatite A?
A hepatite A é uma doença infectocontagiosa causada pelo vírus A da hepatite (HAV), que resulta em um quadro de lesão/inflamação hepatocelular. São cerca de 1,5 milhões de casos registrados todos os anos – porém estima-se que esse número seja 10 vezes maior. No Brasil, cerca de 75% da população já entrou em contato com o vírus.
Acomete principalmente crianças entre 5 e 12 anos de idade, e a incidência é intimamente ligada com baixos índices socioeconômicos (uma vez que a doença tem transmissão principalmente fecal-oral).
A partir da ingestão de água e alimentos contaminados, o vírus pode causar a hepatite. O HAV é resistente ao pH estomacal, razão pela qual sobrevive após ingestão e chega ao intestino, sendo absorvido.
Ao chegar nos hepatócitos, há multiplicação viral, e o corpo lança mecanismos de defensas mediados por linfócitos TCD8+. Tal defesa acaba lesando os hepatócitos, com consequente processo inflamatório do parênquima – levando ao quadro típico.
Uma vez que o vírus reside nos hepatócitos, ele acaba chegando até a bile e consequentemente até o intestino para ser eliminado pelas fezes, o que pode levar a infecção de outros indivíduos.
Quais os sinais e sintomas?
A incubação ocorre entre 15-45 dias do contágio, e a condição pode ter 5 formas de apresentações: (1) assintomática, (2) sintomática clássica, (3) colestática, (4) recidivante e (5) fulminante.
A forma assintomática é mais comum em crianças, podendo muitas vezes passar despercebida.
A forma sintomática clássica evolui como as demais hepatites virais. No estágio prodrômico, há sintomas inespecíficos, como anorexia, náuseas, vômitos, diarreia, febre baixa, cefaleia, mialgia, artralgia, exantema, urticária. Após cerca de 1 semana, pode haver o aparecimento de icterícia (pele amarelada) e hepatoesplenomegalia. Em seguida, há o período de recuperação, chamado de fase de convalescença. O quadro total dura cerca de 8 semanas.
A hepatite A pode evoluir com síndrome colestática intra-hepática, na qual há prurido, urina escura e acolia fecal (fezes esbranquiçadas), que pode perdurar mais de 3 meses.
Em cerca de 10% dos casos, há ataques de hepatite aguda em intervalos de até 10 semanas – a chamada hepatite recidivante. Por fim, menos de 0,5% dos pacientes podem apresentar hepatite fulminante, quadro que envolve insuficiência hepática aguda.
Como diagnosticar um paciente com hepatite A?
Deve-se suspeitar em todos os pacientes com quadro típico, baseado em uma anamnese e exame físico completo. A confirmação se dá pela identificação de marcadores virais, através da sorologia.
O anti-HAV IgM confirma a hepatite A aguda. Os anticorpos são detectados a partir do segundo dia após o início dos sintomas, com declínio em 2 semanas, desaparecendo após 3 meses.
A presença de IgG ocorre na fase de convalescência, persistindo indefinidamente pro resto da vida, levando a imunidade específica permanente – não diferencia se houve infecção prévia ou vacinação.
Os exames laboratoriais auxiliam no diagnóstico – há aumento de transaminases pela agressão hepatocelular, podendo atingir valores até 100 vezes acima do normal.
Importante destacar que a TGP é caracteristicamente mais aumentada que TGO, e demorando mais para voltar ao normal em comparação à TGO. A bilirrubina também pode estar elevada, com valores que podem chegar a 20-25 vezes acima do normal, por predomínio da fração direta.
Leia também: transaminase oxalacética (TGO) – saiba como interpretar adequadamente.
Orientações gerais de tratamento
O tratamento é basicamente sintomático, não se tendo terapêutica eficaz dirigida contra o vírus da hepatite A. A doença é usualmente benigna e autolimitada, e são oferecidas medidas de suporte ao paciente.
Os pacientes acometidos devem se afastar de suas atividades (laborais, estudantis) nas duas primeiras semanas da doença como meio de evitar a propagação. Além disso, cuidados gerais de higiene, e orientações para viajantes para grandes áreas de endemicidade devem estar presentes: evitar consumo de bebidas com gelo e água de origem desconhecida, assim como evitar alimentos crus nessas regiões.
Medidas de imunização são úteis para fins profiláticos – a vacinação contra hepatite A é com vírus inativado, sendo o esquema de 2 doses com intervalos de 6 meses entre elas.
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Referências:
MINISTÉRIO DA SAÚDE. ABCDE DO DIAGNÓSTICO PARA AS HEPATITES VIRAIS. Brasília – DF. 2009.