Exame VHS: velocidade de hemossedimentação, valores de referência e quando está alta

Profissional de laboratório analisando um tubo de amostra de sangue, representando o exame de velocidade de hemossedimentação (VHS).

 

A Velocidade de Hemossedimentação (VHS) é um exame de sangue usado para avaliar a presença de inflamação no organismo. Ele mede a velocidade com que as hemácias se depositam no fundo de um tubo de ensaio ao longo de uma hora, sendo expressa em milímetros por hora (mm/h).

Velocidade de Hemossedimentação (VHS): o que é e quando solicitar

Vamos lembrar: o sangue consiste em 45% de células (principalmente hemácias, mas também leucócitos e plaquetas) e 55% de plasma (composto de água, eletrólitos e proteínas).

Quando pegamos um tubo de Westergren anticoagulado e deixamos parado na vertical, ocorrerá a sedimentação pela gravidade, ficando o sangue separado em 3 camadas: plasma, buffy coat (leucócitos e plaquetas) e hemácias.

A velocidade de hemossedimentação (VHS) mede quantos milímetros as hemácias se depositam no fundo do tubo de ensaio em uma hora, sendo expressa em mm/h.

Ilustração da velocidade de hemossedimentação (VHS) mostrando a sedimentação progressiva das hemácias no tubo em 15, 30, 45 e 60 minutos.

De forma geral, valores elevados de VHS estão associados a processos inflamatórios, infecciosos ou neoplásicos, embora o exame seja inespecífico e deva sempre ser interpretado em conjunto com o quadro clínico e outros exames laboratoriais.

Apesar de hoje dividir espaço com marcadores mais específicos, como a proteína C reativa (PCR), o VHS ainda é amplamente utilizado — especialmente no diagnóstico e acompanhamento de doenças inflamatórias e reumatológicas.

 

Valores de referência do VHS: quando o exame é considerado normal

Os valores de referência da velocidade de hemossedimentação (VHS) variam de acordo com a idade e o sexo. De forma geral, consideram-se normais:

  • Homens: até 15 mm/h
  • Mulheres: até 20 mm/h
  • Crianças: até 10 mm/h
  • Recém-nascidos: 0–2 mm/h

Esses valores são apenas referências gerais. Os limites podem variar discretamente entre laboratórios, dependendo da metodologia utilizada.

 

VHS alto: o que pode causar aumento da hemossedimentação

As hemácias apresentam cargas elétricas negativas em sua superfície, o que faz com que se repilam entre si. Esse fenômeno reduz a agregação das células e, consequentemente, diminui a velocidade de sedimentação no tubo de ensaio.

Em situações inflamatórias ou infecciosas, porém, ocorre aumento da produção de proteínas plasmáticas, como fibrinogênio, imunoglobulinas (IgM e IgG) e proteína C reativa (PCR). Essas proteínas possuem cargas elétricas capazes de neutralizar parcialmente a carga negativa das hemácias, facilitando sua agregação e acelerando a sedimentação. Como resultado, observa-se elevação do VHS.

Além dos processos inflamatórios, outras condições também podem aumentar a velocidade de hemossedimentação.

Situações associadas a VHS alto

1. Doenças inflamatórias e infecciosas
Processos inflamatórios sistêmicos aumentam a produção de proteínas de fase aguda, favorecendo a agregação das hemácias.

2. Neoplasias
Alguns tumores levam à produção de paraproteínas, que também reduzem o efeito de repulsão entre as hemácias e elevam o VHS.

3. Anemias
Em anemias mais importantes, a redução do número de hemácias diminui o efeito de repulsão entre elas, facilitando a sedimentação.

4. Redução da viscosidade sanguínea
Condições associadas à diluição do sangue, como insuficiência cardíaca ou insuficiência renal, podem reduzir a viscosidade do plasma e favorecer a queda das hemácias no tubo.

5. Redução da albumina
A albumina possui grande quantidade de cargas negativas. Quando sua concentração está reduzida (como em doença hepática, perdas renais ou enteropatias perdedoras de proteína), há menor repulsão entre as hemácias, contribuindo para o aumento do VHS.

Situações que podem reduzir o VHS

Por outro lado, algumas condições podem levar a valores mais baixos de VHS, como:

  • policitemia

  • desidratação

  • alterações na forma das hemácias, como esferocitose, microcitose e anemia falciforme

Nesses casos, ocorre maior repulsão entre as hemácias ou dificuldade de agregação celular, o que reduz a velocidade de sedimentação.

 

Fatores que podem interferir no resultado do VHS

Algumas condições podem alterar o resultado da velocidade de hemossedimentação (VHS) e devem ser consideradas na interpretação do exame.

Após a coleta, o ideal é que a análise seja realizada o mais rapidamente possível. Quando o exame é processado mais de 3 horas após a coleta, podem ocorrer valores artificialmente reduzidos.

Alterações fisiológicas também podem influenciar o resultado. Durante a gestação — especialmente no segundo e terceiro trimestres — e no período menstrual, é comum observar elevação do VHS.

Além disso, alguns medicamentos podem modificar os valores do exame.

Fármacos associados ao aumento do VHS:

  • heparina

  • dextrana

  • metildopa

  • contraceptivos orais

  • penicilamina

Fármacos associados à redução do VHS:

  • fibratos

  • albumina

  • estatinas

  • quinina

  • corticoides

  • anti-inflamatórios não esteroides (AINEs)

Por isso, o resultado do VHS deve sempre ser interpretado no contexto clínico do paciente, levando em consideração possíveis fatores interferentes.

Carrinho de compras em miniatura com comprimidos, ilustrando medicamentos que podem interferir no resultado do exame VHS.

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Referências:

Pagana, KD; Pagana TJ. Mosby’s Manual of Diagnostic and Laboratory Tests. 6 ed. – Elsiever – 2017

Caquet, René. 250 exames de laboratório: prescrição e interpretação / René Caquet; tradução de Laís mEDEIROS, Bruna Steffens e Janyne Martini – 12. Ed. – Rio de Janeiro – RJ: Thieme Publicações, 2017

 

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