

O hábito de se consumir ameixas secas na dieta já é algo conhecido para aqueles que sofrem de constipação crônica, por serem ricas em fibras. Entretanto, esta parece não ser a única vantagem do seu consumo.
Recentemente, um estudo publicado pela Journal Advances in Nutrition sugeriu que o consumo de ameixas secas poderia auxiliar na melhora da saúde óssea de mulheres no período pós-menopausa.
Perda de massa óssea e osteoporose
A diminuição na produção de estrogênio pelo organismo feminino durante o período pós-menopausa pode acarretar diversas mudanças fisiológicas. Dentre elas, uma acelerada perda de massa óssea, que em alguns anos pode evoluir para um quadro de osteoporose.
A falta de estrogênio também afeta o sistema imunológico. Há um aumento na ativação de células T, responsáveis pela produção de algumas citocinas como, IL-1β, IL-6, and TNF-α. As citocinas são responsáveis pela iniciação e desenvolvimento de processos inflamatórios, resultando em um estado de estresse oxidativo – no qual são produzidas espécies reativas de oxigênio que causam danos em diversas estruturas celulares.
O processo de mineralização e desmineralização óssea é constante e diária. Entretanto, após os 40 anos, o aumento basal de processos inflamatórios pode causar um desequilíbrio neste processo, levando a um aumento do processo de desmineralização.
A osteoporose se caracteriza por tal desmineralização óssea, fazendo com que os ossos percam densidade, levando a uma condição de maior fragilidade, e aumentando o potencial de ocorrência de fraturas nos pacientes.
Até o ano de 2030 espera-se que a osteoporose atinja cerca de 13,6 milhões de mulheres acima dos 50 anos. Com isso, a busca por alternativas é evidente, e opções não farmacológicas, como mudanças nutricionais, podem ser uma opção para atrasar ou amenizar os efeitos da doença.
Estudos recentes sugerem que a adequação de medidas não farmacológicas, como alteração dietética, com consumo de frutas que possuem princípios ativos, como diversos compostos fenólicos, e carotenoides por exemplo, podem auxiliar na diminuição do quadro pró-inflamatório desencadeado pela diminuição da produção de estrogênio.
Ameixas secas e seu potencial na prevenção da osteoporose
As ameixas secas são fontes abundantes de minerais, vitamina K, compostos fenólicos, e diversas fibras. Uma revisão publicada em janeiro desse na revista Journal Advances in Nutrition (Fator de impacto 8.7) descreve alguns estudos que estudaram o consumo de ameixa seca como potencial intervenção na prevenção à osteoporose.
Os pesquisadores analisaram cerca de 16 estudos pré-clínicos e 2 estudos clínicos, e conseguiram levantar dados suficientes para argumentar que o consumo de ameixas secas ocasionou uma diminuição de processos inflamatórios e do estresse oxidativo.
Como exemplo, um dos estudos analisados demonstra que o consumo de 100g de ameixas secas por dia teve efeito positivo em alterar a densidade óssea de ossos do antebraço, braço e coluna. Além disso, após 6 meses de consumo contínuo, houve a diminuição de TRAP-5b, um marcador de reabsorção óssea.
Avaliando os estudos pré-clínicos, os autores descobriram que ameixas secas e/ou seus extratos diminuem a secreção de malonaldeído e óxido nítrico, aumentam a expressão de enzimas antioxidantes ou suprimem a ativação de NF-κB e a produção de citocinas pró-inflamatórias.
Ainda, os pesquisadores argumentam quanto a possibilidade de alteração da microbiota intestinal, com uma diminuição da taxa basal de inflamação no colón.
Conclusões
Embora o mecanismo pelo qual as ameixas secas estão realizando esta alteração fisiológica não esteja completamente elucidado, há evidências crescentes de sua atuação na prevenção da osteoporose – efeitos anti-reabsortivos, anti-inflamatórios e antioxidantes.
Sendo assim, que tal recomendar adicionar duas ou três ameixas secas no iogurte matinal daqui em diante?
———
Referências:
DAMANI, Janhavi J. et al. The Role of Prunes in Modulating Inflammatory Pathways to Improve Bone Health in Postmenopausal Women. Advances in Nutrition, 2022. https://doi.org/10.1093/advances/nmab162
Katie Bohn, Pennsylvania State University. Eating prunes may help protect against bone loss in older women. Feb 2022. MedicalXPress.