

A esterase leucocitária positiva no exame de urina indica infecção urinária?
Nem sempre. Embora seja um marcador altamente sensível, sua interpretação exige contexto clínico e atenção a possíveis falsos resultados.
Neste artigo, você vai entender quando confiar no resultado de esterase leucocitária urinária, quando desconfiar e como coletar corretamente a amostra.
O que é esterase leucocitária?
A esterase leucocitária é uma enzima liberada pelos leucócitos. Sua presença na urina indica leucocitúria e funciona como marcador indireto de inflamação urinária, especialmente de infecção do trato urinário (ITU).
Ela faz parte da análise físico-química do EAS (exame de urina tipo 1).
👉 Quando positiva, sugere infecção — mas não confirma isoladamente.
Esterase leucocitária positiva: qual a relação com ITU?
De todas as infecções urinárias sintomáticas (ITU), cerca de 90% são decorrentes de cistites – ITU baixa, da mucosa da bexiga. Há mais de 100 milhões de casos de cistite por ano no mundo, sendo 50 vezes mais comuns em mulheres do que em homens. Estima-se que 10% das mulheres têm pelo menos uma infecção por ano, e 60% têm em algum momento da vida.
Já em crianças, a infecção urinária pode ocorrer em 7% dos menores de 2 anos de idade, sendo uma das principais causas de “febre sem foco” nessa população. Em menores de 1 ano, é mais comum em meninos (proporção 3-5:1), visto que há maior risco de válvula de uretra posterior (1 em cada 5 mil nascimentos do sexo masculino).
Já em maiores de 2 anos, a proporção é de 10 meninas para 1 menino acometido — assim como em mulheres adultas, em meninas, a uretra é anatomicamente mais curta, o que permite uma maior ascensão de bactérias via urinária.


Cuidados na avaliação do exame de esterase leucocitária urinária
Ao avaliar a esterase leucocitária urinária, alguns cuidados devem ser tomados. Primeiramente, devemos estar atentos aos riscos de falsos negativos ou falsos positivos.
Falsos negativos: podem ocorrer em caso de alta concentração de proteína, alta densidade ou presença de ácido ascórbico na urina.
Falsos positivos: podem ocorrer diante da contaminação da amostra com secreções vaginais (p.ex., menstruação, infecção por Trichomonas etc.) contendo leucócitos.
De toda forma, é necessário avaliar a clínica condizente com infecção, e a confirmação com urocultura se torna necessária no seguimento.
Como deve ser feita a coleta da urina?
Como citamos, a esterase leucocitária urinária faz parte da análise parcial de urina. Dessa forma, há 5 principais formas de coleta:
Urina de jato médio: é o mais utilizado na prática. O paciente deve desprezar o primeiro jato urinário e coletar o jato médio de urina dentro do frasco. Orienta-se realizar higiene íntima com água e sabonete e abrir o frasco somente no momento da coleta.
Para pacientes sem capacidade de coleta de jato médio (como baixa cognição, com urostomias, bexiga neurogênica), orienta-se a coleta por sonda vesical de alívio. Para isso, é necessário acoplar uma seringa de 20 mL à ponta do cateter de alívio e aspirar a quantidade de urina suficiente para o exame (habitualmente cerca de 20 mL).
Para pacientes previamente cateterizados, orienta-se a coleta por sonda vesical de demora. Nesses casos, o profissional deve esvaziar a sonda e a bolsa coletora e clampear o circuito coletor abaixo da ponta de coleta por 15 a 30 minutos. Em seguida, utilizar uma agulha fina com seringa na ponta de coleta e aspirar a quantidade de urina suficiente para o exame.
Para crianças com menos de 3 anos, o método mais comum é a coleta por saco coletor, na qual o coletor é fixado em meato uretral (de modo que não haja folga ou dobras entre o coletor e a pele), e aguarda-se a micção. Em seguida, aspirar o conteúdo da urina (~10 mL) para realização do exame.
Por fim, para recém-nascidos ou crianças que necessitem de uma coleta o mais asséptica possível, orienta-se a punção suprapúbica.


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Referências:
Pagana, KD; Pagana TJ. Mosby’s Manual of Diagnostic and Laboratory Tests. 6 ed. – Elsiever – 2017.
Caquet, René. 250 exames de laboratório: prescrição e interpretação / René Caquet; tradução de Laís Medeiros, Bruna Steffens e Janyne Martini – 12. Ed. – Rio de Janeiro – RJ: Thieme Publicações, 2017.
McPherson, Richard A. Diagnósticos clínicos e tratamentos por métodos laboratoriais / Richard A. McPherson, Matthew R. Pincus – 21.ed – Baueri, SP: Manole, 2012.
Xavier, RM et al. Laboratório na prática clínica: consulta rápida – 3ed – Porto Alegre: Artmed, 2016.

































