O Escore de Seville é um índice desenvolvido auxiliar na escolha do uso precoce de antifúngicos em pacientes com sepse grave em UTI. É utilizado em pacientes em UTI para identificar o risco de candidíase invasiva, os diferenciando daqueles cuja probabilidade da infecção é pouco provável.
Escore de Seville auxilia na identificação de infecção invasiva por Candida
A Sepse é uma resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção (ou seja, uma resposta inflamatória sistêmica excessiva à infecção). Os principais focos iniciais de infecção são pulmão, abdômen e trato urinário.
Cerca de 7,5% dos casos de sepse são em decorrência de infecções fúngicas, como por Candida spp. No entanto, embora impacte positivamente no prognóstico, a identificação do agente causador da sepse só ocorre em metade dos casos.
O Escore de Seville é uma escala altamente sensível, que tem como principal objetivo auxiliar na identificação de pacientes internados em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) com quadro de choque séptico e que sejam elegíveis ao uso precoce de antifúngicos.
Dessa forma, é possível diferenciá-los daqueles cuja probabilidade de infecção por Candida é pouco provável – identificando quais os pacientes podem se beneficiar do tratamento precoce, apresentando melhor prognóstico.
O escore de Seville é composto por 5 critérios. A seguir serão descritos cada um dos critérios, bem como a pontuação atribuída.
- Colonização por Candida:
- Pelo menos 3 colonizações: +3 pontos.
- Menos de 3 colonizações: +2 pontos.
- Ausência de colonizações: +1 ponto.
- Candidúria > 100.000 UFC/mL: +1 ponto.
- Tempo de internamento em UTI:
- Menos de 7 dias: -1 ponto.
- Entre 7 e 15 dias: 0 pontos.
- Mais de 15 dias: +1 ponto.
- Admissão do paciente (marcar todos que se enquadrem):
- Uso de antibiótico amplo espectro na última semana: +1 ponto.
- Apache II > 15: +1 ponto.
- Cirurgia abdominal de grande porte ou pancreatite: +1 ponto.
- Hemodiálise: +1 ponto.
- Uso de corticoide > 500 mg nas últimas duas semanas: +1 ponto.
- Uso de > 2 dispositivos invasivos (sondas, tubos, drenos): +1 ponto.
- Nutrição parenteral: +1 ponto.
- Estado clínico atual do paciente:
- Assintomático: -1 ponto.
- Sepse: +1 ponto.
- Sepse grave: +4 pontos.
- Choque séptico: +6 pontos.
- Paciente apresenta melhora na retirada do acesso vascular:
- Sim: -1 ponto.
- Não: 0 pontos.
Como interpretar?
Após o somatório dos pontos, a interpretação é dividida em três categorias, direcionando o tratamento:
Pontuação > 12: risco ALTO de infecção. Iniciar uso de antifúngicos.
Pontuação entre 8 e 12: risco MODERADO de infecção. Monitorar.
Pontuação < 8: risco BAIXO de infecção. Não é necessário o uso de antifúngicos.
No entanto, é importante destacar: embora altamente sensível, o escore de Seville possui baixa especificidade.
O conhecimento de algumas informações prévias é necessário para a pontuação, como uso de antibiótico na semana anterior, e uso de corticoide (e a dose > 500 mg) nos últimos 15 dias. A ausência dessas informações pode comprometer a pontuação.
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O Escore de Seville foi desenvolvido em 2004 por pesquisadores na Espanha. O objetivo do trabalho foi desenvolver uma escala para determinar o uso de antifúngicos de forma precoce, na presença de infecção por Candida.
Foram avaliados quase 1800 pacientes em 73 UTIs diferentes, em um estudo prospectivo observacional. O uso do escore de Seville foi altamente sensível para a identificação de pacientes com maior risco de colonização por Candida (95%), mas não tão específico (46%).
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Referências:
Ruiz-Santana, Sergio et al. THE “SEVILLE SCORE”. A NEW PREEMPTIVE ANTIFUNGAL THERAPY APPROACH FOR CANDIDA COLONIZATION IN NON-NEUTROPENIC CRITICALLY ILL PATIENTS. SOCIETY OF CRITICAL CARE MEDICINE 34TH CRITICAL CARE CONGRESS PHOENIX, ARIZONA, USA JANUARY 15-19, 2005.